Concluir ensino médio, graduação, especialização, doutorado, ter fluência em outras línguas, passar por cargas horárias exaustivas, trânsito, cumprir metas e enfrentar todos os desafi os exigidos em uma carreira, ainda não são suficientes para frear a desigualdade de gênero em esferas de poder. Há mulheres no Senado, na Câmara dos Deputados, em prefeituras e em grandes corporações. No entanto, ainda são minoria em altos cargos. No campo da política, existem poucos programas de estímulo por parte dos partidos para que haja mais presença feminina nas candidatas Mulheres no mercado de trabalho daturas e também em cargos que exijam mais poder de decisão. “A representatividade feminina deve estar presente também em cargos políticos, notadamente aqueles que foram eleitos pela sociedade. O quadro de cargos ocupados na política brasileira ainda está muito distante do ideal”, declarou a ex-presidente da Fundação Jorge Duprat e Figueiredo – Fundacentro, Leonice da Paz.

 

 

 

Os obstáculos

Em 2016, foram apontadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), diferenças de remunerações, sendo que as mulheres receberam 22,9% a menos que os homens. Na região sudeste, a remuneração é maior, fato este que não elimina a diferenciação dos rendimentos para mulheres nesta região, que receberam 28,3% a menos que os homens.

As dificuldades encontradas pela busca de boas oportunidades vão desde rendas menores para o gênero feminino, até a disponibilidade inferior de tempo, por conta da ocupação com tarefas domésticas e filhos. A quantidade de tempo dedicado por elas a esses cuidados são superiores ao dos homens.

As estruturas atuais de emprego não estabelecem políticas mais acessíveis a essa nova realidade. Por conta disto, existem muitas mulheres que acabam desistindo da carreira ou optando por vagas com carga horária de meio período com salários mais baixos, ou com funções paliativas, diferentes das que almejam. Questões com essas temáticas estão sendo discutidas pela SPM (Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres) e Fundacentro. “Recentemente estivemos reunidas com especialistas da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), onde discutimos uma futura parceria entre a Fundacentro e a SPM, justamente para promovermos um debate acerca de políticas públicas, aliando a saúde da mulher trabalhadora, foco da Fundacentro, com as ações da Secretaria.” Esse é um tema que deve constar como pauta primária no diálogo entre a sociedade e o Estado. O Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres é um instrumento bastante eficaz, capaz de impulsionar as políticas de igualdade. Um início na construção de políticas públicas poderia ser o rompimento do papel tradicional exercido pela mulher e a oferta de mais opções para que essa mulher conquiste sua própria autonomia. A rigidez na divisão de papéis é um fator negativo para que a mulher possa ir além das “obrigações” do lar, limitando-a à competitividade igualitária. “O papel do “provedor” e da “mulher do lar” ganham novas formas e devem ser transformados em papéis igualitários com responsabilidades compartilhadas; somente assim podemos dar um passo inicial para a formulação de políticas públicas”, comentou Leonice da Paz.

O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estipulou uma estimativa de crescimento na economia global, caso haja a diminuição da desigualdade de gênero no mundo. Diminuindo essas disparidades em uma margem de 25% até 2025, poderia-se atingir um aumento em receitas de US$ 5,8 trilhões, ou seja, a previsão mostra que quanto mais os países utilizarem políticas de direitos igualitários, benefícios e espaços em esferas de poder para as mulheres, mais crescimento econômico atingirão.