Os leituristas de energia elétrica são responsáveis por fazer as medições de energia para a emissão de conta de luz. Visitam diariamente residências, prédios, centros comerciais e indústrias para emissões das faturas de consumo. Algumas das atividades inerentes à função consistem na realização de inspeções diárias, antes de fazer as leituras. Por consequência disso, ficam sujeitos aos choques por energização acidental, curto circuitos e explosões. Essas ameaças são apontadas no manual de procedimentos de trabalho da Eletropaulo (MPT-DPC-030).

As normas técnicas são importantes, mas desde que a instalação permaneça preservada, o que não se pode garantir na prática, pois o próprio cliente, na maioria das vezes, não tem noção de que esses equipamentos necessitam de manutenção. E, por parte das concessionárias, falta orientação aos clientes e uma fiscalização mais efetiva. Enfim, o leiturista fica exposto a esse quadro, que fica submetido a acidentes graves, podendo causar grandes riscos ou mesmo a morte”, declarou o presidente da Fenatema, Eduardo Anunciatto.

 

Os sistemas de entrada da força elétrica seguem padrões e normas já estabelecidos pelas concessionárias. Os postes, caixas, cabos e disjuntores precisam ser homologados pela empresa de energia responsável pela distribuição. Segundo a AES Eletropaulo, as caixas de entrada seguem modelo padrão e a companhia especifica o modelo de caixa tipo (“E”), que deve ser instalado do lado interno da propriedade, com abertura da parte traseira para a calçada. O aterramento deve ser construído dentro da área de propriedade do cliente, com cabos extraflexíveis e terminais nas pontas, do tipo ilhós, padronizados.

Aterramento é a ligação elétrica intencional com a terra, podendo ter objetivos funcionais (ligar o condutor neutro a terra) e de proteção (ligar a terra às partes metálicas não destinadas a conduzir correntes elétricas); é a garantia do bom funcionamento das instalações elétricas. Havendo qualquer irregularidade no aterramento elétrico, os leituristas e consumidores estarão expostos a choques e outros acidentes.

Atividade Perigosa?

O projeto declara atividade como perigosa, de alto risco à saúde dos leituristas de energia e gás.

O grau de periculosidade deste trabalho é ainda discutido. Não existe lei que proteja e ofereça garantias no que se refere a situações de perigo da profissão. Por meio da realização de assembleias sindicais, foram recebidas queixas de acidentes com choques e até eletrocussão, por parte dos trabalhadores das empresas de energia que exercem funções diretamente ligadas às caixas de entrada. As denúncias foram levantadas pelo Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da FENATEMA – Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente, órgãos representados pelo presidente Eduardo Annunciato, o Chicão. Em 2016, foi apresentada ao Congresso a proposta do Projeto de Lei 4.606/16, pelo deputado federal Paulinho da Força – SD-SP. O parlamentar propôs a nova lei com o objetivo de atender às necessidades desse profissional, que passa por situações adversas, sujeito às más condições do tempo, à exposição a animais perigosos, a locais de difícil acesso e, sobretudo, aos choques elétricos. O projeto visa declarar a atividade como perigosa, de alto risco à saúde e segurança dos leituristas de energia e gás. A PL 4606/2016 atualmente aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Medidas Preventivas

O Sindicato dos Eletricitários orienta os colaboradores a não tocar nas caixas metálicas de entrada sem a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs). “Como muitas concessionárias ainda não compreenderam que a atividade de um leiturista não é um trabalho puramente visual, e que ele atua de fato no Sistema Elétrico de Potência (SEP), o Sindicato vem orientando há muito tempo para que esse profissional use os EPIs no exercício do trabalho. Algumas empresas adotaram, além da bota de borracha, o uso da luva, mas como precaução e não como reconhecimento de que o perigo rodeia a vida dessas pessoas”, concluiu Chicão.