A depressão é um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza persistente e uma perda de interesse por atividades de que as pessoas normalmente gostam acompanhadas por uma incapacidade de realizar atividades diárias, e pode afetar qualquer um, pois ignora idade, cor ou história pessoal e tem reflexos na vida pessoal e profissional.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. As últimas estimativas da OMS mostram que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, com um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. No Brasil, as informações de trabalhadores da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS,2013) mostraram que a depressão atinge 4,43% das mulheres e 1,62% dos homens.

As taxas de transtornos mentais e comportamentais em trabalhadores apresentam-se em um ritmo crescente nas últimas décadas, refletindo o aumento análogo na população em geral. Apesar de ser um grupo de patologias com diagnósticos mais demorados e definição de nexo causal com o trabalho mais complexa, os dados oficiais da previdência social de 2017 apontam que os transtornos mentais ocupam o terceiro lugar de causas dos benefícios previdenciários acidentários.No entanto, a comparação entre os benefícios acidentários e os comuns concedidos em 2017 demonstrou que a taxa de transtornos mentais na categoria dos comuns é cerca de 60% maior daquela dos acidentários, sugerindo que aqueles que não possuem relação com o trabalho possivelmente são mais diagnosticados ou que os acidentários são subnotificados.

Para o ambiente de trabalho, a depressão traz grandes consequências por meio do absenteísmo, do presenteísmo, da rotatividade e do desempenho e produtividade reduzidos.Contudo, muitas vezes é neste ambiente que se encontram os fatores psicossociais desencadeantes da depressão, tais como baixo poder de decisão (baixa autonomia e controle nas tarefas que executa), altas demandas psicológicas, baixo apoio social, insegurança no trabalho (vínculos de trabalho precários), desequilíbrio entre esforço e recompensa e violência no trabalho, incluindo o bullying.

Diversas populações de trabalhadores têm sido estudadas mundialmente, e cada vez mais constata-se o papel relevante dos fatores psicossociais do trabalho na ocorrência da depressão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) definiu esses fatores como “as interações entre o local de trabalho, o conteúdo das atividades e tarefas, a situação organizacional e as habilidades dos trabalhadores, incluindo as necessidades, a cultura e fatores individuais dos sujeitos, que podem, através de percepções e experiências, afetar a saúde, o desempenho e a satisfação no trabalho”. Este é um conceito complexo, e pode ser mais facilmente compreendido como “fatores relacionados ao local de trabalho que podem causar estresse”, entendendo-se o estresse como uma condição negativa que surge como resposta a um estressor, podendo ter um impacto na saúde mental ou física ou no bem-estar do trabalhador.

A OMS mostra que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, com um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015.

O estudo do estresse no mundo do trabalho tem gerado interesse desde a década de 1990, especialmente no que diz respeito ao impacto relacionado ao trabalho na saúde e gestão dos trabalhadores,e na atualidade dois modelos teóricos são os mais aplicados para mapeamento destes estressores: demanda-controle e esforço-recompensa.

Para profissionais da área de Saúde e Segurança do Trabalho (SST),é fato que a busca pelo modelo explicativo do papel dos diversos fatores ambientais e individuais na saúde do trabalhador é um desafio complexo, haja vista os interesses econômicos, políticos e sociais intrínsecos à questão. Em uma perspectiva ampla de promoção da saúde do trabalhador e entendendo que o universo laboral é repleto de variáveis e exige a complexa gestão das atividades, o mapeamento dos riscos psicossociais garante uma avaliação permanente do ambiente de trabalho, permitindo a construção de um espaço laboral mais seguro e saudável e menos sujeito aos transtornos mentais relacionados ao trabalho, como a depressão.

 

 

 

Ações que podem ser implementadas, visando minimizar riscos psicossociais:

  • Avaliar periodicamente a carga de trabalho;
  • Manter quadro de pessoal compatível com o volume de tarefas;
  • Disponibilizar espaço para interação e convivência entre trabalhadores;
  • Garantir um ambiente livre de violência física e psicológica;
  • Ter espaços para diálogos entre supervisores e trabalhadores;
  • Proporcionar um ambiente físico em conformidade com normas de saúde e segurança;
  • Assegurar que as tarefas estejam claramente definidas;
  • Incluir em capacitações sobre saúde e trabalho informações sobre riscos psicossociais e estresse relacionado ao trabalho.