Os atrelados à oportunidade do emprego e toda a experiência atingida pela força do trabalho, são interrompidos pelo assédio, que por sua vez, ganha sempre sustentação através das relações de poder. Agressores usam de sua posição, para coagir. Tudo pode começar com simples elogios, telefonemas, convites, brincadeiras insistentes, até gerar pedidos explícitos de cunho sexual em troca de promoções ou até mesmo permanência na atividade profissional. Essas situações são recorrentes nos ambientes de trabalho, fazendo com que as vítimas saiam dos empregos e percam chances de crescimento profissional.

O agressor pode pegar de um a dois anos de prisão. A lei protege as vítimas que apresentem queixas com provas, em muitas situações que podem ser configuradas como crime.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, desde 2012 até 2017 houve aumento de quase 50% nas de denúncias contra assédio sexual. Crescem os registros, no entanto, existem especificidades geradas no ato do assédio, que dificultam as ações de combate ao mesmo. Há casos em que as vítimas não conseguem provas, ou não denunciam por medo de perder o emprego ou sofrer represália.

O contexto cultural pode influir em algumas condutas relacionadas ao assédio. As práticas muitas vezes são favorecidas por influência da crença de que a vítima fez por merecer. Certos comportamentos estão ligados a pensamentos machistas oriundos da ideia da objetivação da mulher, fato esse que se agrava no Brasil.

Trabalho não é lugar de cantada. E cantada não é elogio, quando é feita em situação na qual a pessoa não tem chance de reagir. Cantada no trabalho é assédio sexual verbal e você – vítima ou testemunha – pode denunciar. A cartilha está disponível para download no site da Fundacentro para baixar CLIQUE AQUI e procure por “assédio sexual”

 

O mal se estende ocasionando doenças

A necessidade de cuidar desse tema se faz urgente, visto que as consequências geradas comprometem a saúde, as áreas profissional e pessoal das mulheres. Existem ocorrências em que as vítimas não recebem nenhum tipo de apoio e, por isso, camuflam todo o problema. Consequentemente, chegam ao ponto de sofrer desgastes emocional e físico. “Os danos podem variar bastante e vão desde a perda de interesse pelo trabalho, desestabilizando emocionalmente, provocando agravamento de doenças já existentes, como o surgimento de novas doenças. Muitas vezes refl etem na queda da produtividade e da qualidade do trabalho, favorecendo o aparecimento de doenças profi ssionais e acidentes de trabalho. Em 2010, o guia de prevenção sobre o assédio sexual no ambiente de trabalho da OIT informou que as vítimas de assédio sexual podem apresentar sintomas psicológicos, como sentirem-se frágeis e culpadas, insônia, tensão, raiva e depressão, assim como sintomas biológicos, como dores de cabeça, dores  musculares, ânsia de vômito, pressão alta, mudança no peso e fadiga”, comenta Cristiane.

 

Comportamento

“A naturalização do comportamento masculino dominador é a cultura de que, de alguma forma, as mulheres ou vítimas são as culpadas, ou seja, favoreceram a situação. Esses entendimentos difi cultam a caracterização das violências e perpetuam as injustiças”, explica Cristiane Lima, pesquisadora da Fundacentro/Ministério do Trabalho. Especialista em organização do trabalho e adoecimento, em especial com situações de violências no trabalho, ajudou a desenvolver pela Fundacentro a cartilha citada na página anterior.

 

O que deve ser feito

 Medidas preventivas em espaços laborais são os primeiros passos para as inibições desse tipo de crime. Cada ambiente segue uma política de prevenção, que vai de acordo com a cultura de cada empresa. Os procedimentos podem ser desde campanhas e palestras, até a implementação de códigos de ética. A lei protege todas aquelas que apresentem queixas com provas, em situações que são caracterizadas como avanços de caráter sexual sem consentimento, exigências de favores com cunho sexual, relações verbais ou físicas que gerem ofensas a fi m de constranger, vindas por parte de algum superior hierárquico. Todas essas conjunções podem ser confi guradas como crime. De acordo com o código penal 216, o agressor pode pegar de um a dois anos de prisão. O assédio afasta as oportunidades, pela discriminação e vulnerabilidade. Os órgãos públicos e algumas empresas então cientes dessa gravidade e criaram mecanismos para que os casos sejam relatados e tratados pelos canais de denúncias, como: Ouvidorias; Sindicatos ou Associações; Ministério Público do Trabalho da sua localidade; Delegacia da Mulher.