Passamos por 10 meses de pandemia, muitos deles sem saber o que fazer, trancados em casa. Perdemos a liberdade, fomos obrigados a enfrentar tudo que a gente mais fugia, começando por nós mesmos, nossos cônjuges, filhos, familiares, as nossas casas… passamos por tanto, mas será que não aprendemos nada ou aprendemos muito pouco?

Primeiramente, queria dizer que a vacina é uma grande solução, que eu confio nos cientistas e órgãos reguladores e sou totalmente averso à conspiracionistas e negacionistas. Acho um desserviço total as pessoas que divulgam teorias da conspiração, que têm prazer em vibrar com o que dá errado, torcer contra os avanços e disseminar o medo. Se soubessem o mal que fazem à saúde emocional de tantas pessoas, talvez se importassem com isso e deixariam de fazê-lo. Está na hora de crescer.

Fiquei e fico também abismado quando escuto comentários negativos de que ainda tem pouquíssima gente vacinada e que demoraremos anos para vacinar todo mundo, ou quando leio notícias de que o Brasil tem, proporcionalmente, menos pessoas vacinadas que o mundo todo e assim por diante. Estes mesmos foram os que não se importavam e que ainda não se importam com a proporcionalidade quando relatam os casos de contaminações e mortes do Covid-19. A notícia negativa propaga muito mais do que a positiva. Temos, logo, que fazer um esforço maior para poder neutralizar esse movimento, ou nos afundaremos todos em uma depressão e pânico coletivos.

Vamos fazer um exercício: lembra quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 na China? Quando foram parar na Itália e logo chegaram ao Brasil? Lembra quando tivemos a primeira morte no Brasil? Qual foi a sensação que tivemos? Medo, incerteza do futuro… Fomos arrancados de nossa zona de conforto, que já não estava muito confortável após a maior crise econômica da história. De repente, tudo começa a fechar, brigas políticas acontecendo, uma enxurrada de fake news sendo propagadas, gerando mais medo e mais incerteza. Caímos em uma escuridão sem saber o que seria.

Demorou, mas passou a primeira parte, veio um leve suspiro, mas que, infelizmente, durou pouco, talvez impulsionado pela nossa indisciplina e memória curta. O pouco cuidado com as medidas preventivas, o ano novo e pronto, subiu novamente. E, junto com isso, as teorias conspiratórias e do medo novamente. Que preguiça! Nesse meio tempo, vacinas pelo mundo todo avançando nos estudos e, junto com esse avanço, os mestres do desserviço dizendo que viraríamos jacarés. Preguiça novamente.

Em janeiro, finalmente, os primeiros brasileiros foram vacinados. Sim, demorou mais que outros países e, neste quesito, temos que rever, como sociedade, nossa habilidade de planejamento e nossa burocracia que, assim como atrasou o início da vacinação, atrasam muitos outros negócios e avanços em nosso país historicamente.

Agora estamos vacinando. Sim, demorará ainda, afinal, somos mais de 200 milhões em um país continental e ainda temos um atraso histórico de logística e infraestrutura, sem contar a cultura da “Lei do Gérson”, vista nos fura-filas e na corrupção sempre denunciada e em evidência.

O fato é que tivemos momentos ruins e momentos bons nisso tudo. A vida é assim. Temos que fazer um esforço para nos darmos conta das conquistas e dos avanços, ao invés de colocarmos tanta energia negativa nos desafios. Se não o fizermos, entramos em um buraco sem fim. Nunca nada estará bom. E a verdade é que nunca nada está ou estará 100% bom, mas sempre haverá aspectos positivos para celebrarmos. Não há mal que não traga um bem.

Vamos aproveitar tudo isso para, enfim, evoluirmos e para, individual e coletivamente, subirmos um degrau. Não podemos permitir toda uma geração sem levar nosso país para um novo patamar. E esse esforço não se começa criticando e reclamando, mas, sim, refletindo em nós mesmos, melhorando e puxando todos que pudermos e aqueles que desejarem junto conosco.

A vacina chegou! Viva! Vamos para o próximo passo, sem nunca parar e celebrando cada vitória.