A resposta pode parecer obvia, ainda mais depois que os casos de depressão, burnout e outros distúrbios vem afetando claramente o dia a dia de uma grande quantidade de trabalhadores.

Mas o que vemos na realidade é bem diferente disso. Quem mais tem atuado – ainda que de forma muito tímida – no tema da saúde emocional e mental têm sido as áreas de Recursos Humanos, com pouquíssima – senão nula – participação da área de Segurança do Trabalho.

As razões para isso parecem obvias : o tema de cuidados com o emocional dos colaboradores vem sendo tratado como “bem estar”, como “benefício extra”, como um “plus”, e não como uma parte fundamental do trabalho.

Sem maturidade emocional o colaborador não só tem um desgaste pessoal enorme para fazer algo que seria simples, mas a empresa tem um prejuízo considerável. Dependendo da função, um diretor com ansiedade excessiva ou uma agressividade descontrolada, afeta o trabalho de dezenas, centenas ou até milhares de colaboradores.

Estes por sua vez, recebem uma carga emocional que não deveriam receber e tampouco têm apoio e orientação para lidar com isso de forma positiva e acabam por transferir a carga para subordinados, pares ou levam a carga para casa, onde passam a ter problemas de relacionamento com a família, dormem mal, abusam da alimentação desregradas e assim por diante. Forma-se um ciclo vicioso que custa milhões de reais todos os meses, seja em produtividade perdida, afastamentos ou perda do profissional.

Indo além do custo financeiro e chegando na segurança do trabalho, temos um outro fator importante.

A empresa “perde” o funcionário quando ele é afastado. Atualmente, Depressão, Burnout e Ansiedade são os motivos oficiais para afastamento por temas da saúde mental. Não se contabiliza aqui os afastamentos por outras doenças que tem tudo a ver com a baixa capacidade de lidar com o próprio emocional, como por exemplo, infartos, derrames, acidentes (dentro e fora do trabalho) etc.

Todas estas situações poderiam muito bem serem prevenidas com um baixo investimento e com altíssimo retorno. Basta para isso que a empresa permita mapear a situação da Saúde Emocional através de ferramentas sérias e validadas, com metodologias que permitam captar a realidade emocional da equipe sem invadir sua privacidade e que consigam mostrar uma foto que direcione as ações.

O que vemos atualmente é uma onda de “Psicólogos para quem quiser”, “Meditação”, “Desconto em academia”, e várias outras ações que colocam na mão do funcionário a decisão de se cuidar. Assim, tudo cai para uma falsa sensação de bem estar.

Como exemplo prático, temos dois gráficos de um caso real. Chamaremos a empresa de Cia Brasil na qual fizemos uma análise através de um questionário online (com metodologia específica de acordo com as regras de confidencialidade da LGPD e do CFM) em um projeto que durou aproximadamente 45 dias.

 

Gráfico 1

 

Neste gráfico, vemos que 26% (94 de 349 pesquisados) da empresa sofre com Transtorno de Estresse Pós Traumático – TEPT.

O diagnóstico do TEPT ocorre quando o indivíduo é exposto a um evento estressante grave (risco à sua sobrevivência, abusos morais, tensão profissional excessiva, agressões físicas). Os sintomas incluem Dores de cabeça aguda e crônica, alterações de comportamento devido à ansiedade, estados dissociativos que levam a pessoa a reviver as situações traumáticas sob a forma de flashbacks e pesadelos.

Tudo isso acarreta uma óbvia e relevante perda de produtividade. Mas o mais importante é que se a situação não é tratada, partes destes colaboradores acabam desenvolvendo sintomas mais sérios que podem levar a afastamentos.

Então seria o caso de dar treinamento de técnicas de estresse para todos?

Não é tão simples, pois na área de Saúde emocional não acredito em nada que seja generalizado.

Vejamos no 2º gráfico, como está a Diretoria da Cia Brasil.

 

Gráfico 2

Vemos que na Diretoria o principal problema é o Transtorno de Ansiedade Generalizada – TAG, que leva a pessoa a ter sintomas de agitação ou sensação de nervosismo ou tensão, cansaço fácil, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono.

Alguma dúvida que os diretores com estas condições estão prejudicando a empresa?

A partir de dados que nos levam a identificar o problema é plenamente possível agir de forma pontual, estruturada e com profissionalismo para reduzir o imenso custo financeiro desta causa, mas principalmente, melhorar em muito a segurança de todos os colaboradores.

Atuando desta forma, todos ganham e eu acredito que qualquer gestor de Saúde e Segurança do Trabalho pode levantar esta bandeira sem medo de errar, pois estará cumprindo sua missão.