Enquanto setores, amigos e até famílias se dividem entre quem acredita ou não na vacina – isso para não mencionar a briga partidária –, o mercado de academias e demais negócios de fitness parece unânime.

Nos grupos de gestores e empresários do ramo, como o da ACAD (Associação Brasileira de Academias), todos querem duas coisas: portas abertas e população vacinada. Isso porque já estamos, aos poucos, colhendo as oportunidades que toda crise traz.

No caso da atividade física e da saúde, os frutos são a procura pelo condicionamento e esportes para melhorar a imunidade e eliminar comorbidades que podem ser prejudiciais, não só para os casos de coronavírus.

O fato é: pessoas que nunca se interessaram por academia viraram essa chave. Além delas, não se pode esquecer de quem já frequentava espaços de fitness e estavam ávidos pelo convívio social. Os conhecidos “ratos de academia”.

Tendo isso em vista, a chegada da vacina contra o coronavírus tende a levar o mercado de fitness no Brasil, em 2021 e 2022, para seus dois melhores anos de todos os tempos. A demanda por exercícios deve crescer consideravelmente quando a imunização for uma realidade no País.

Segundo estimativas, a porcentagem da população que pratica atividade física em academias e afins deve subir de 3% para 5% nos próximos dois anos.

A possível retomada gradual mostra a pujança do setor. Para a recuperação prevista se confirmar, no entanto, Ailton Mendes, presidente da ACAD, já ponderou que a vacina é fundamental.

Para isso, o governo deve passar também a considerar as academias como atividade de saúde preventiva e não apenas de lazer. É urgente que o setor seja visto como sinônimo de estabelecimentos importantes no enfrentamento da Covid-19.

Assim, os donos de academias têm de adotar (e pelo que vemos, com raras exceções, vem adotando) posturas cada vez mais profissionais e rigorosas em relação aos protocolos de segurança.

Este aumento na demanda deve ocorrer após um período em que muitas academias fecharam as portas por conta da pandemia – número não oficial calcula esse índice em 20%. No auge da crise, em julho, a queda nas vendas chegou a 75% e o volume de clientes ativos caiu 66%. Com a recuperação iniciada no mês de agosto de 2020, o setor fechou o ano (2020) com uma queda de 25% nas vendas.

Mas os índices pré-pandemia devem ser alcançados no fim do primeiro trimestre deste ano de 2021. Sendo assim, as academias que estiverem preparadas, e os empresários com visão que puderem (e souberem) investir para receber esse público, terão a chance de ouro de dar uma boa guinada.

O momento para empreender no setor é muito bom. Temos clientes em contínuo crescimento, apesar da crise e exemplos de como uma academia de bairro, que nunca tinha passado de 350 alunos nos últimos meses abriu mais duas unidades, enquanto outras, menos preparadas, fechavam suas portas.

A preparação dos gestores também deve envolver o recebimento de um novo perfil de aluno, que privilegia atividades voltadas para a saúde e não, necessariamente, para a questão estética, ganho de massa e perda de peso.

E, claro, este novo aluno também busca a possibilidade de treinar remotamente, sem a necessidade de frequentar a academia. Foi justamente esta rápida adaptação, com o oferecimento de treinos online e acompanhamento de um professor, que permitiu ao setor permanecer de pé durante a crise.

Centenas de academias passaram a ofertar, além das aulas presenciais, aplicativos com muita tecnologia embarcada. O acesso ao app FITI, disponível para todos os nossos clientes e, consequentemente, seus alunos, cresceu mais de 1.200% durante a pandemia.

Ou seja, é possível agora levar a academia para viajar, no bolso, no celular. Muitos clientes tornaram-se digitais e permanecerão assim. As aulas virtuais também aumentaram consideravelmente e, mesmo com a reabertura (parcial ou completa) das academias, continuam em crescimento.

Essa é uma tendência que veio para ficar.