Inteligencia Emocional é um termo que se popularizou em meados dos anos 1990, por ocasião do lançamento do livro de Daniel Goleman, estendendo a vários campos do saber uma percepção sistematizada sobre o funcionamento dos Comportamentos Emocionais dos indivíduos.

Para introduzir o conceito ‘Inteligência Emocional’ seria interessante conceituar o termo ‘Emoção’, pois, embora recorrente e corriqueiro, não é uma ideia tão clara para a grande maioria da população.

O termo emoção vem do latim ‘movere’, uma ideia bastante pertinente quando figuramos a emoção como o ato de mover algo.

Assim, é possível pensar que quando expressamos uma emoção, estamos movendo algo para fora de nós.

As emoções têm um amplo espectro em nosso organismo, desde estímulos cerebrais que ativam complexos biocomputacionais responsivos (por exemplo, o medo dispara estímulos por todo o corpo e cessa movimentos peristálticos, reduz as pupilas, secreta adrenalina), até o desencadeamento de uma torrente de várias outras respostas emocionais que atuam em sequências.

De acordo com estudos sobre a Teoria das Emoções, seis delas são tidas como básicas, divididas ainda em dois outros subgrupos:

  • emoções adaptativas: medo, raiva e tristeza;
  • emoções desadaptativas: alegria, aversão e surpresa.

Teremos em seguida, uma gama variada de derivações que são chamadas de emoções secundárias.

Na animação cinematográfica ‘Divertida Mente’, lançada em 2015, é possível ver uma abordagem neurocientífica das emoções básicas e suas inter-relações com as demais emoções de forma lúdica e elucidativa, compreendendo suas atuações em nós mesmos.

Porém, a idéia do senso comum de que as emoções possam ser controladas pode estar equivocada. Quando vemos do ponto de vista ‘Biofuncional’, as emoções simplesmente afloram (são movidas para fora) diante de determinados estímulos que refletem sua consonância com a história de vida de cada indivíduo.

Então, não seria correto dizer que a Inteligência Emocional é uma maneira de controlar as emoções, mas sim, um saber como lidar com as emoções que irão emergir, antevendo o movimento que costuma atuar como gatilho em determinadas situações.

A Inteligência Emocional atua balanceando as ações entre o Cérebro Racional e o Cérebro Sensível, de forma a que o individuo exerça suas escolhas da melhor maneira possível.

Podemos pensar então, que a valorização da Inteligência Emocional desde sua conceituação deu-se principalmente nos meios corporativos, porque percebeu-se que os indivíduos que  tinham um quociente elevado de Inteligência Emocional atuavam com maior equilíbrio e eficiência quando comparados a seus pares com quociente de IE menores.

Percebeu-se inclusive, que pessoas que possuíam Quociente de Inteligencia (QI) elevados, mas Quocientes de IE menores eram menos bem sucedidas em suas carreiras e vidas pessoais.

Ter um bom Quociente de IE auxilia o indivíduo nas mais variadas situações de vida, fora do campo do trabalho formal.

Na verdade, somos movidos a emoções, e a maneira como entramos em contato com elas, assim como a elas reagimos, se torna o ponto focal do desenrolar mais pacífico e apaziguador da IE.

Pessoas que investem em Autoconhecimento têm maiores chances de prever como irão reagir face a determinadas situações, tendo maior auto amparo diante de circunstâncias perante as quais, caso não se trabalhassem, poderiam ter colapsos, agir impensadamente e até oferecer risco de vida para si e para outrem.

Isso ocorre porque, quando nos colocamos em uma posição ativa/passiva  de nos autoconhecer (ativa porque nos colocamos ativamente para esse fim e passiva, porque aceitamos sem resistências o que emerge) entramos em contato conosco e conseguimos distinguir o que vem do exterior, daquilo que vem do nosso universo interior.

Daí, a facilidade e leveza que alguém com altos quocientes de IE têm de administrar seus conflitos e mediar, inclusive, conflitos alheios.

Inteligência Emocional trata-se de equilíbrio e perspicácia nos relacionamentos interpessoais e intrapessoais.

Ao longo da história da humanidade, sempre houve pessoas que ficaram conhecidas por seu alto grau de sensibilidade reativa frente a grandes catástrofes, possibilitando que tomassem decisões acertadas, sem precipitações, ouvindo partes importantes da equação, sem se autocentrar em suas próprias opiniões.

A Inteligência Emocional deveria ser matéria curricular do ensino das crianças, porque, quando conseguimos identificar qual é a emoção que está nos invadindo em determinado momento temos também a oportunidade de atuar conscientemente para lidar com essas emoções claramente nomeadas, e tirando grandes cargas de pressões emocionais que levam as pessoas a carregarem culpas desnecessárias por suas atitudes hiper-reativas.

Se as crianças forem orientadas de forma consistente a compreender suas emoções poderão comportar-se de maneira a serem menos suscetíveis a arroubos emocionais que as desequilibrem.

Nas áreas de coaching e desenvolvimento pessoal, muitos profissionais e empresas oferecem treinamentos e exercícios para aumentar as competências na área da Inteligência Emocional.

No livro de Goleman, o autor exemplifica algumas atitudes que são favoráveis à ampliação da IE:

1) evite desentendimentos em relacionamentos considerando a diferença emocional entre homens e mulheres, porque cada um tem sua maneira de pensar e agir.

Explicação: segundo o autor, enquanto os homens são mais práticos em oferecer soluções quando se deparam com sua parceira discorrendo sobre seu dia, por exemplo, as mulheres tendem a preferir serem ouvidas e, nessa escuta, compreenderem o que desejam realmente fazer com relação ao tema sobre o qual discorrem.

Dessa forma, a oferta de uma solução prática tem o efeito contrário ao esperado por ela, e é vista como simplista e/ou como forma de encerrar rapidamente o assunto.

2) se estiver irritado em algum momento, faça uma pausa.

Explicação: a irritação é um ‘crescendo’. Ela não acontece de forma rápida ou, pelo menos, tem uma trajetória. Se o indivíduo for capaz de reconhecer que está ficando irritado e pedir uma pausa para si, a chance de conseguir se recompor e não agir impensadamente é imensa.

3) se tiver que criticar alguém, seja específico e ofereça soluções.

Explicação: às vezes é necessário intervir em um processo de outrem, por razões que se colocam por força maior.

Nesse caso, é importante ser bastante específico para que o ouvinte compreenda o ponto que está sendo levantado sem levar como crítica a sua pessoa, mas sim, uma ação ou atitude que podem e devem ser reorientadas.

Explique como a correção poderia ser efetuada.

A Inteligência Emocional é uma importante ferramenta em várias áreas, desde o recrutamento de pessoas até as áreas estratégicas de altos escalões do governo, das forças armadas, etc.

Mas principalmente, nos ajuda individualmente a sermos pessoas mais equilibradas e centradas, que buscam soluções que resultem em menos conflitos possíveis, e assim, colaboram para um ambiente mais saudável, possibilitado um viver com mais qualidade.