Recentemente, a Síndrome de Burnout foi considerada doença ocupacional, após sua inclusão no CID (Classificação Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Na prática, isso significa que, por lei, todos os profissionais acometidos pela doença também passam a ter os direitos trabalhistas e previdenciários assegurados, como já acontece com as demais doenças relacionadas às atividades profissionais.

O Burnout é desencadeado pelo estresse crônico no trabalho e se caracteriza pela tensão resultante do excesso de atividades profissionais, causando esgotamento físico e mental, perda de interesse no trabalho, ansiedade, depressão, dentre outros, como principais sintomas.

Outras síndromes como LER (Lesão por Esforço Repetitivo), DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), Surdez Temporária ou Definitiva, Asma Ocupacional, dentre outras, sempre existiram.

Mas, as doenças que mexem com o lado psicológico dos colaboradores que vivem o estresse adicional da pandemia de COVID, há pelo menos dois anos, fizeram com que o setor corporativo prestasse muito mais atenção à saúde mental.

Um estudo recente produzido pela The School of Life, em parceria com a Robert Half, mostra como a necessidade de sentido no trabalho tem se tornado mais prioritária para os liderados. Quando foram perguntados sobre os principais impactos da pandemia na saúde mental, 64% dos entrevistados responderam ansiedade e 51,79% apontaram que o desânimo estava entre os aspectos mais citados por funcionários da empresa.

Do ponto de vista das lideranças, a ansiedade estava entre os primeiros com 63%, seguido do estresse, com cerca de 48%.

Essa mudança de classificação do Burnout pode elevar a discussão sobre a saúde mental e, com isso, as empresas terão que criar ambientes mais sustentáveis de estresse e demanda para que seus colaboradores não desenvolvam outras doenças futuramente.

Ou seja, será preciso nutrir ainda mais a segurança psicológica, onde as pessoas podem compartilhar ideias, errar, sem sofrer punições por isso, pois a empresa terá que cuidar do funcionário integralmente no âmbito profissional, pessoal e mental caso ele seja diagnosticado com a doença.

Mas, afinal, quais serão as próximas doenças que aparecerão por conta do ambiente corporativo? Estresse? Ansiedade? Depressão? Fadiga de Tela? Ou todas essas se incluem em uma síndrome muito maior?

Ainda não sabemos, mas é importante deixar um alerta para que as empresas cuidem dos seus colaboradores, principalmente no período pós-pandemia, já que vivenciamos uma nova organização de trabalho que contempla novos desafios – o local onde trabalhamos (provavelmente híbrido), a forma como vivemos o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a saúde mental etc.

É de fundamental importância que as empresas tenham um olhar mais integral para o colaborador como um todo.

Para finalizar, gostaria de destacar que os afastamentos pelo INSS por doença mental  já são considerados os que mais cresceram nos últimos anos.

Discutir se cuidamos ou não da saúde mental dos colaboradores não é uma opção das empresas, mas o correto é refletir como a empresa cuida e ajuda na saúde mental e integral de todos que ali trabalham.