Funcionários de um frigorífico pertencente à JBS, na cidade de Passo Fundo, RS foram atingidos por um surto do novo coronavírus, notícia revelada em 24 de abril de 2020.

A empresa foi interditada após a descoberta de que cerca de 20 dos 2600 funcionários haviam contraído a doença.

Segundo procuradores, a JBS não estava seguindo normas da vigilância sanitária para o combate do novo coronavírus e recusara-se a assinar um Termo de Ajuste de Conduta.

Assim, o Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública contra a JBS, após versão do MPt, corroborada por funcionários da empresa.

Passo Fundo, cidade gaúcha de 200 mil habitantes, é hoje a 2ª cidade do estado com maior número de ocorrências e óbitos decorrentes da Covid-19, atrás somente de Porto Alegre.

Apesar da notícia do surto no frigorífico, o prefeito de Porto Alegre liberou o retorno das atividades do setor industrial em 24 de abril.

É sabido que o trabalho em frigoríficos é bastante exaustivo e frequentemente provoca LER (Lesões por Esforço Repetitivo) nos funcionários, em razão dos exaustivos movimentos braçais típicos da profissão.

Há ainda, o agravante da proximidade com que trabalham, aumentando a exposição recíproca entre os funcionários.

Estudos identificaram que as lesões por LER também são decorrentes da falta de fio nas facas usadas pelas indústrias, consideradas muito ruins pelos funcionários e configurando descaso das empresas com os mesmos.

Além de descaso, condições como a intensificação do trabalho e dos ritmos elevados, repetitividade e monotonia no desempenho do trabalho, tornam os funcionários ainda mais vulneráveis às condições de exposição a doenças; assim, como consequências dos descasos por grande parte do setor fabril, geram-se não apenas o adoecimento físico, mas também o mental, como continuidade de pressão realizada para o desejado alcance de produtividade nas empresas.