Atualmente, este é um dos assuntos mais presentes, desde as mídias sociais até os espaços acadêmicos e de pesquisa clínica.

Mas, o que é vacina, você sabe?

A palavra vacina deriva do latim “vaccinus”, que significa “derivado da vaca” e está relacionada à descoberta da vacina contra varíola, pelo médico inglês Edward Jenner.

Ele percebeu que, pessoas que ordenhavam vacas com varíola bovina, apresentavam sintoma fracos da doença, suspeitando que essas pessoas estariam também recebendo, além do vírus, uma “carga de proteção” (imunidade), vinda também das vacas doentes, que produziam anticorpos com o intuito de combater a doença.

Para confirmar sua suspeita, o médico inglês Edward Jenner extraiu material de feridas de uma ordenhadora contaminada inoculando-o em um menino, que manifestou a doença de forma leve e passageira (primeira “dose”).

Novamente expôs o garoto a material contaminado de outro paciente com varíola (segunda “dose”).

Semanas depois, a criança não desenvolveu a varíola. A técnica foi popularizada como a variolização; partiu da China a países do oriente, até a América do Norte, em 1700 DC, descobrindo o princípio de uma vacina, que é imunizar (conferir proteção específica).

O mesmo aconteceu com Louis Pasteur, químico que descobriu as vacinas microbianas.

Desenvolvimento

Vacina é um medicamento produzido a partir de agente infeccioso (vírus ou bactérias) enfraquecido; partes deles ou substâncias produzidas por eles.

Os métodos biotecnológicos mais utilizados na elaboração de vacinas são o uso de pedaço de RNA mensageiro (molécula que carrega informações genéticas do agente causador da doença), o uso do vírus causador da doença, com e sem vetor de adenovírus, porém morto ou enfraquecido, que ao entrar no organismo, apenas estimula nosso sistema a produzir defesa específica.

Laboratórios farmacêuticos fabricam vacinas com alto padrão de segurança biotecnológica e comprovada eficácia e efetividade. Devem ser seguras e não apresentar manifestações de enhancement, ou seja, de provocar doenças que pretendem proteger.

São indicadas para proteção em massa, pois existem microrganismos com alta infectividade e alta virulência, que é respectivamente, a capacidade de ser transmitido de pessoa a pessoa e a capacidade de, ao provocar a doença, produzir formas graves dela.

A vacinação (ato de vacinar) é a forma mais segura e eficaz de proteger, quando não se tem um medicamento específico para combater uma a doença, especialmente em situação de pandemia, a exemplo da Covid-19, doença causada pelo agente Coronavirus ou Sars-CoV-2, que tem alta infectividade e alta virulência.

A vacina produzida pela AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford, denominada de AZD1222 ou ChAdOx1 nCoV-19 é feita a partir de uma versão atenuada de um vírus de gripe de chimpanzé comum para estimular a imunidade.

O Instituto de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia – IPEM, da Gamaleya – na Rússia, produz a vacina Sputinik, a partir de parte do material genético da coroa do coronavírus, que é transportado para o interior da célula, por meio do vetor de adenovírus.

A união Química no Brasil enviará pedido em breve à ANVISA para uso emergencial da Sputinik.

A vacina da Pfizer/BioNTech , laboratório sediado nos Estados Unidos, é a BNT162b2, produzida a partir de ácido ribonucleico (RNA mensageiro químico) que contém informações capazes de produzir anticorpos (células de defesa).

Quando o novo coronavírus, envolto em uma cápsula de gordura, entra no organismo, o RNA mensageiro utiliza o mecanismo da célula para se reproduzir; assim sendo, o sistema imune a identifica e ativa os mecanismos de defesa do corpo.

Técnica considerada revolucionária. Esta vacina passou por processo de avaliação, tendo sido estudada em níveis avançados no Brasil, África do Sul, Estados Unidos e Argentina.

O Sinovac é um laboratório sediado na China e é responsável por 20% do mercado chinês em vacinas, produzindo 20 milhões doses/ano.

A Moderna, sediada nos Estados Unidos desenvolve uma vacina com avançada biotecnologia, com eficácia de 94,5%, incluindo os mais vulneráveis, diz Isabel Sola, codiretora de outra vacina contra Covid-19 no Centro Nacional de Biotecnologia, em Madri.

No Brasil, atualmente há duas opções para produção em larga escala.

Uma delas, provém de acordo tecnológico com a biofarmacêutica AstraZeneca, no Reino Unido, para produção da Covax por meio da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, que possibilitará uma entrega de 210,4 milhões de doses.

O laboratório chinês Sinovac, fechou parceria com o governo de São Paulo para a produção da CoronaVac, pelo Instituto Butantan.

Conservação

O que se precisa para as vacinas de RNA é a sequência do antígeno, e estas são facilmente produzidas em grande quantidade.

O RNA é envolvido em uma cápsula lipídica protetora, pois é frágil, e há necessidade de conservação a baixíssimas temperaturas, o que dificulta a logística e sua manutenção na rede de frios, desde a fábrica até a população.

A da Pfizer precisa de armazenamento a – 70 °C. A da Moderna a -20 °C. As vacinas de DNA, são armazenadas a temperatura ambiente porque o DNA é muito resistente.

Mitos

Vacina mata pessoas! Mito. Vacinas não matam pessoas. Protegem e ajudam a prolongar a vida.

A vacina altera o código genético? Não! O RNA mensageiro ou o adenovírus, presentes na vacina, são proteínas, e só entram na célula até o citoplasma, pois é bioquimicamente incompatível com a membrana nuclear.

Vacina produz a doença em quem faz uso dela?

Na vacina é usada apenas parte do vírus que já está morto ou enfraquecido, por isso não produz doença.

Para reflexão 

Devemos reconhecer que neste momento da pandemia do Coronavirus ou Sars-CoV-2, a comunidade científica mundial, em um esforço sem precedentes está imbuída em desenvolver as melhores vacinas com alto grau de segurança biotecnológica, eficácia, efetividade e em tempo recorde, inclusive por meio de parcerias e incentivos oriundos da Organização Mundial de Saúde – OMS;

Confiar na ciência, promover esclarecimentos a pessoas com menos acesso às informações científicas e/ou reticentes, superando movimentos ideológicos antivacinas;
Manter o distanciamento, a higiene das mãos, o  uso de máscaras e álcool a 70%;
E aguardar a vacina, pois é o único meio para nos libertarmos da pandemia e das inúmeras mortes por Covid-19, no mundo.