No mês em que comemoramos o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (02 de abril), muito ainda precisa ser feito para promover o respeito e o cuidado de quem sofre com esse transtorno.

Uma das maiores dificuldades é identificar o espectro. Estudos afirmam que os primeiros sinais de autismo ou transtornos do espectro autista já podem ser percebidos por volta dos 9 (nove) meses de idade.

Quando o olhar denuncia uma vez que a criança não consegue manter contato visual efetivo com seus pais ou cuidadores.

Em torno dos 12 meses a criança, por exemplo, não consegue apontar os dedinhos, além de demonstrar muito mais interesse pelo contato com os objetos do que com as pessoas.

O diagnóstico é baseado no histórico do indivíduo, por isso a dificuldade em identificar de imediato. É um processo muito subjetivo.

As etapas de investigação do autismo estão baseadas em coleta de informações sobre o comportamento social e como se comunica socialmente a criança, além de verificar se ela apresenta atitudes e intenções repetitivas e fora do contexto.

Além disso, a entrevista com os pais e cuidadores é uma etapa muito importante nesta identificação. E pode-se utilizar também o recurso de observar a criança por meio de vídeos e fotos, em atividades junto aos amigos e/ou familiares.

Como a cura ainda é desconhecida, o autismo também não possui um padrão de tratamento que possa ser aplicado em todos os portadores do distúrbio.

Cada paciente exige um tipo de acompanhamento específico e individualizado, que engloba a participação da família e de seus cuidadores – juntamente com uma equipe profissional multidisciplinar visando à reabilitação global do paciente.

O cuidado e acompanhamento neurológico e/ou psiquiátrico podem, sim, ser necessários por toda sua história de vida, com alterações de intensidade e frequência, conforme o nível do espectro.

A equipe multidisciplinar designada para atendimento e acompanhamento de autistas ou portadores do espectro é formada por um psiquiatra ou neurologista infantil, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.

Juntos eles farão intervenções terapêuticas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, saúde e bem-estar do paciente.

Profissionais que juntos irão avaliar as capacidades e necessidades do indivíduo, de forma a discriminar as melhores técnicas que puderem propiciar, cientificamente, maiores chances de melhoras.

Mas, fica claro que muito mais do que as investidas e contribuições da medicina para melhorar a condição e o desenvolvimento do paciente, também é necessário reforçar o respeito, o amor e a tolerância para que esse indivíduo desfrute de uma vida com saúde e maior autonomia, uma vez que ainda não temos a cura para esse transtorno.

Com a maior possibilidade de informação, muito em função das redes sociais e do alcance fabuloso da internet, temos visto uma significativa melhora e redução dos casos de preconceito em relação ao autismo.

A ignorância aumenta o preconceito. A inclusão social apoiada em políticas públicas também contribui bastante para a diminuição deste preconceito, pois tanto educadores como pais hoje conseguem ter maior receptividade do assunto e aprendem estratégias de como lidar com essas diferenças de uma maneira mais tranquila e acolhedora.

Além disso, outro ganho importante é o fato de que as escolas estão mais preparadas para receber o aluno autista.

Os centros de tratamento também se especializaram mais e com isso, a informação é melhor disseminada e a população já consegue ver o autismo não como uma doença, mas sim como um transtorno mental que pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para que o convívio social seja o mais tranquilo e menos traumático possível.

No entanto, o preconceito ainda acontece, e muito se tem que trabalhar para acabar com ele.

Enfim, autismo é apenas uma palavra, não uma sentença.  Ele não se cura, mas se compreende. Acolha sua criança ou adulto como um ser único e cheio de amor guardado no peito, prontinho para distribuir e colorir a vida.

E que tenhamos, assim, maior sensibilidade para ajudar o autista a se desenvolver dentro de seus limites.

O mais importante é procurar proporcionar a eles uma melhor qualidade de vida, ajudando a decodificar o mundo até que tenham condições de se tornarem mais independentes e repletos de autonomia. Neste processo a aceitação é o primeiro passo.

A paciência,  compaixão e empatia são alguns dos sentimentos mais presentes no processo de aprendizagem do cuidado ao autista.  E, sem dúvida alguma, o amor é a maior ferramenta no processo de compreensão e ajuda desse indivíduo único e tão especial.