Desde os primórdios até hoje em dia, o homem ainda faz o que o macaco fazia (Titãs)

Os conflitos fazem parte da natureza humana, independente de estarem relacionados com diferentes características de personalidade, interesses ou crenças e valores distintos. Mas estão relacionados principalmente com a maneira que cada um de nós percebe e reage aos estímulos que recebe.

Quantas vezes, dependendo do seu estado de humor, você leu uma mensagem ou um e-mail dando a entonação diferente da intenção de quem escreveu? Quantas vezes houve alguma dificuldade em evoluir numa conversa ou reunião, por divergência em algum ponto que você não soube “administrar”.

Se você buscar no dicionário o conceito de conflito, vai encontrar como definição “oposição de ideias, sentimentos ou interesses”. Entendendo que forças contrárias ou opiniões divergentes geram o conflito, pode-se afirmar que onde há um grupo de pessoas, há conflito. Lidar com as divergências não é tarefa fácil no dia a dia, especialmente no contexto organizacional.

Na maioria das vezes quando se ouve a palavra conflito, tendenciosamente se pensa em problema, assim é no senso comum. Diante desse cenário, é possível que o primeiro pensamento seja na necessidade de resolver a questão o mais rápido possível.

O grande segredo para os gestores está em saber que um conflito por mais resultante de divergências que seja, pode ser algo que vai trazer dificuldades e alguns desconfortos, mas também pode ser uma excelente oportunidade de mudança, aprimoramento e resultados para a organização.

Entendendo que a gestão de conflitos se dá por meio de um conjunto de métodos e processos práticos que visam administrar e mediar situações entre pessoas ou times, diminuindo seu impacto negativo e tornando a situação de conflito algo produtivo, pode-se dizer então que, quando a gestão tem a habilidade de converter os conflitos de maneira eficiente, oportunidades de aprendizado e crescimento/desenvolvimento pessoal e profissional tendem a surgir.

Para a gestão de conflitos é importante, entre outros pontos, entender que ainda que haja muita sinergia e bom relacionamento entre as pessoas numa empresa, inevitavelmente, em algum momento, haverá uma divergência. Todas os gestores que atuam com pessoas, e essa não é tarefa somente da área de RH, precisam ter a consciência de que há corresponsabilidade por gerir o time.

Até aqui não parece tão assustador fazer a gestão de conflito, mas há situações em que o fator impulsionador do conflito está relacionado com desavenças ou questões pessoais e, nesse âmbito, torna-se bem mais complexa a gestão, pois além das questões profissionais envolvidas, há uma subjetividade que nem sempre é possível acessar.

Os profissionais que fazem/atuam com gestão de pessoas devem ter em mente que a primeira questão para a gestão do conflito é reconhecer que ele existe e buscar recursos para enfrentá-lo/solucioná-lo. Torna-se muito usual que as pessoas assumam posturas mais impositivas e autoritárias quando não sabem como apoiar os colaboradores para intermediar a situação conflituosa por meio de uma abordagem dialógica buscando destacar a importância de buscar o ponto de conexão em que as divergências possam se tornar forças para melhores resultados e melhor relacionamento interpessoal.

Ser gestor envolve também conhecer as características pessoais de quem compõe seu time para poder delegar, valorizar as divergências e não relativizar causas. Muitas situações podem gerar conflito, mas sempre haverá um ganho a partir da divergência. Napoleon Hill diz em seu livro, “Mais esperto que o Diabo”, que para cada adversidade há uma semente equivalente.

Gestores têm a tarefa de gerenciar conflitos com o apoio e habilidade da área que atua na gestão das pessoas, que é o RH, desta forma, não é responsabilidade somente do RH fazer esta gestão, pois as pessoas envolvidas na situação como gestores, líderes e colaboradores estão no mesmo contexto.

Sendo assim, cultivar um ambiente harmonioso, com clima favorável e oportunidade de identificar as sementes equivalentes que podem florescer de cada divergência é um bom começo para pensar em ações que favorecerão a gestão de conflito. Mas há uma questão, de suma importância, que deve ser norteadora de qualquer pensamento ou intenção nas relações: brigam as ideias, não as pessoas.