Tudo tem se tornado desafiador no último ano. Experimentamos novas formas de interação, de socialização a distância, de ensino, de cuidados e de trabalho.

Grande parte das pessoas teve contato pela primeira vez com o home office forçado e as empresas, responsáveis pela saúde e bem-estar de seus funcionários, tiveram, de alguma forma, de instruí-los para evitarem doenças e acidentes em casa.

O que pode parecer mais cômodo para alguns, para outros passou a representar um perigo para a coluna.

Tanto é que a expressão dor nas costas esteve no Google Trends várias vezes em 2020 e a ergonomia passou a ser vista como prática essencial para trazer benefícios para os colaboradores nesse período.

O conceito ergonomia foi estabelecido através de uma norma regulamentadora, a NR-17. Seu objetivo é garantir parâmetros para uma boa condição de trabalho, adaptando os espaços. Através dela, é possível diminuir riscos como o esforço repetitivo, a má postura, excesso de peso etc.

Além da alta exposição às notícias trágicas que já tendem a afetar nossa saúde mental, a falta de ergonomia acaba gerando baixa produtividade, insatisfação com o trabalho e crises de ansiedade.

E alguns ajustes no home office e atenção a detalhes como, cadeira, iluminação, computador e a forma correta para utilizar o celular podem otimizar o trabalho online e diminuir as preocupações com dores e desconforto.

A coluna, por exemplo, deve estar reta ao se sentar na cadeira e os pés apoiados no chão em um ângulo entre 90° a 100°.
A posição dos braços e punhos também deve estar ajustada e um grande aliado para que isso aconteça é a utilização do suporte para teclado.

A postura da cabeça e pescoço também são importantes e, para isso, a parte central da tela do computador deve estar no mesmo nível dos olhos.

Outra dica que faz toda a diferença no final do expediente são algumas pausas durante o dia e levantar pelo menos de 50 em 50 minutos para realizar alongamentos dos braços, tronco, pescoço.

Orientações com relação a medidas de segurança, além das explicações claras sobre a ergonomia correta são fundamentais para vislumbrar maior qualidade de vida dos funcionários.

As mudanças no estilo de vida dos brasileiros somado ao sedentarismo e ao home office sem cuidados e atenção postural fizeram com que, em meu consultório, que antes da pandemia tinha cerca de 40% dos atendimentos de casos mais graves na coluna e 60% para casos posturais e musculares,  tenha invertido esses números.

Atualmente, 60% dos meus pacientes procuram o serviço de ortopedia devido a problemas como hérnias de disco e compressão de nervos.
Se não tomarmos cuidado, a tendência é que essa seja mais uma das muitas dores e marcas deixadas pelo coronavírus.