Em tempos de pandemia de Covid-19, os profissionais da saúde estão na primeira linha de atendimento aos infectados, colocando suas vidas e a de seus familiares em risco de contágio. A Organização Mundial da Saúde – OMS, em levantamento feito entre 31 de dezembro de 2019 a 23 de março de 2020, aponta um percentual de 10% de trabalhadores afetados pelo coronavírus, resultando aproximadamente em 335 mil casos e 15 mil mortes em 190 países.

Esses números evidenciam a necessária disponibilidade de utilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs para esses profissionais, que rotineiramente usam máscaras, mas que não são suficientes para determinadas situações como exames invasivos e manuseio de aparelhos de ventilação mecânica.

O Dr. Eduardo Algranti, pesquisador da Fundacentro e médico pneumologista, obteve esses dados como participante do Webinar EPI-WIN Covid-19 organizado pela OMS e cujo tema foi saúde pública e distanciamento social. Segundo Agranti, esses casos requerem proteção respiratória mais adequada e se necessário, com barreira facial, sempre atentando ao uso correto do equipamento ao manipular e retirar. No entanto, a proteção de barreira vai além da respiração. O Covid 19 se mantém em diferentes superfícies e materiais, incluindo o vestuário. Portanto, profissionais da saúde que tocam os pacientes, devem utilizar luvas e aventais, sempre atentando às técnicas para o uso adequado, orienta o pneumologista.

No mesmo Seminário, foi apresentada a experiência italiana, onde 90% dos trabalhadores da saúde infectados por Covid-19 são assintomáticos, o que leva à reflexão sobre a possibilidade dos trabalhadores que não têm contato direto com os pacientes, exercerem suas funções através do teletrabalho. O teleatendimento pode diminuir as visitas presenciais aos serviços de saúde, minimizando a possibilidade de contágio, destaca Agranti.

No Brasil, estamos no nível de transmissão comunitária, onde o contágio acelera. Foram 67 dias para se atingirem os primeiros 100 mil casos. Depois, um ciclo de 11 dias para mais 100 mil e outro ciclo de 4 dias para mais 100 mil casos.

Medidas de distanciamento social são necessárias, porém avaliam-se internacionalmente as possibilidades de abertura de escolas e creches para se atenderem os filhos dos profissionais da saúde. Também se discutiu como iniciar estudos que deem embasamento para classificar a Covid-19 como doença ocupacional.