O câncer é o principal problema de saúde pública no mundo e já está entre as quatro principais causas de morte prematura (antes dos 70 anos de idade) na maioria dos países. A incidência e a mortalidade por câncer vêm aumentando no mundo, em parte pelo envelhecimento, pelo crescimento populacional, como também pela mudança na distribuição e na prevalência dos fatores de risco de câncer, especialmente aos associados ao desenvolvimento socioeconômico.

Verifica-se uma transição dos principais tipos de câncer observados nos países em desenvolvimento, com um declínio dos tipos de câncer associados a infecções e o aumento daqueles associados à melhoria das condições socioeconômicas com a incorporação de hábitos e atitudes associados à urbanização (sedentarismo, alimentação inadequada, entre outros) (BRAY et al., 2018).

O intenso foco na pandemia do novo coronavírus acaba diminuindo a relevância sobre questões de saúde ainda mais numerosas e complicadas, como é o câncer, 2ª doença mais mortal no Brasil e no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o Brasil tem 625 mil novos casos a cada ano. No mundo, os casos chegam a 18 milhões. E dos 45 milhões de pessoas que enfrentam os 5 anos de prevalência do câncer em todo o mundo, 1,3 milhão são brasileiros.

Pacientes de câncer em tratamento ativo se encontram comprometidos pela baixa imunidade causada por agressividade dos tratamentos, e assim, tornam-se o grupo mais vulnerável ao desenvolvimento da Covid-19 na forma grave, levando médicos e pacientes ao adiamento de exames, cirurgias e tratamentos, por conta do medo da nova doença.

Os oncologistas, na linha de frente da luta contra o câncer, enfrentam agora também, a luta mundial contra o novo coronavírus, tentando conduzir situações impactantes na vida dos acometidos por uma doença que os fragiliza tremendamente frente à possibilidade de contrair o vírus; por outro lado, e ainda diante de um dilema mais difícil de ser decidido – o tempo. A velocidade com que o câncer progride e necessita de tratamento, uma vez que não espera. O paciente simplesmente não pode esperar.

Não deve haver interrupções, uma vez iniciados os tratamentos. Quando se fala em exames, estes também não devem esperar para que diagnósticos possam ser realizados o mais rapidamente possível. Doenças detectadas precocemente, melhores as chances de cura.

Dessa forma, o adiamento de exames, tratamentos e cirurgias relativas o câncer, podem afetar as chances da cura.

Os pacientes têm sido alertados, e é imprescindível garantir a segurança dos que vão a clínicas e hospitais com maior rigorosidade a fim de se evitar o contágio por coronavírus, e certamente seguir também as orientações de higiene e evitar o contato com pessoas que tenham sintomas de gripe ou febre e não sair de casa.

Atualmente, a telemedicina tem sido uma boa aliada. Mas muitas pessoas com câncer terão de enfrentar o perigo do mundo externo no combate a uma doença muito letal sem o tratamento adequado.

Serviços e tratamentos essenciais precisam continuar, devem ter prosseguimento para que vidas se salvem. As situações particulares de riscos e benefícios devem ser discutidas entre médicos e seus pacientes, individualmente. Em casos de diagnóstico da Covid-19, esta infecção deve ter tratamento priorizado.

Os profissionais de saúde têm lidado com situações de extremo desafio e limitações diversas, mas esses desafios têm sido enfrentados em missões de cuidados aos pacientes como se fossem a eles próprios, enquanto aguardam melhorias e mais segurança nesta difícil fase pandêmica que requer cuidados e equilíbrio.