Após já se ter alastrado por mais de 70% das regiões brasileiras, a epidemia de coronavírus se alastra rumo ao interior, onde há menor oferta de respiradores e de UTIs – Unidades de Tratamento Intensivo – concluíram pesquisadores da Fiocruz (Fundaçao Oswaldo Cruz).

A doença já se encontra em todas as regiões brasileiras mais populosas, e nas regiões menores, os casos confirmados mais que triplicaram. Compararam-se dados de março a abril em um período de praticamente um mês com a penúltima semana do mês de abril, conforme informações do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz).

As informações foram baseadas em dados sobre saúde da pesquisa Região de Influência das Cidades (Regic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da identificação dos deslocamentos intermunicipais da população que busca serviços de saúde, agrupando as cidades em regiões.

De acordo com Christovam Barcellos – O vice-diretor do Icict/Fiocruz, o Brasil não conseguiu conter a disseminação da doença dos grandes centros para as cidades menores, o que indica que ocorrerá uma pressão crescente sobre os sistemas de saúde.

Na primeira análise, a doença havia chegado a 21% das regiões mais populosas, saltando para 72% na segunda análise.

Nas regiões com mais de 500 mil habitantes, 100% registram casos e 88% já confirmam mortes causadas pela covid-19, sendo possível prever, a partir da expansão nas capitais e cidades maiores, que a doença avança em direção a cidades médias e pequenas. Entre as regiões cuja população está entre 100 mil e 500 mil habitantes, 92% já possuem casos e 40%, mortes.

No mesmo período, a expansão da doença também se viu em regiões entre 50 mil e 100 mil habitantes, e em 48% das regiões que somam de 20 mil a 50 mil habitantes, onde anteriormente só se confirmavam casos em 16% e 7% dessas regiões, respectivamente. Nas regiões com ate 20 mil habitantes, houve aumento de 4 para 22%.

Em 50% das regiões de até 100 mil habitantes não há leitos de UTI e respiradores, quando comparado às cidades maiores nos serviços públicos – sendo que, as regiões com 20 mil a 100 mil habitantes possuem em média, 10 respiradores por cada 10 mil habitantes, enquanto nas cidades com mais de 500 mil habitantes, esse número praticamente dobra. Há regiões com situação alarmante, com menos de três respiradores para 10 mil habitantes.

As discussões das medidas de isolamento e afrouxamento devem ocorrer de forma conjunta, uma vez que as cidades não existem de forma isolada; assim, as redes de conexão entre as cidades precisam ter um planejamento conjunto quanto a respostas que definam essas medidas.