O Sintracon-SP é um dos maiores sindicatos de trabalhadores da América Latina, e representa mais de 400 mil trabalhadores da construção civil, lutando pelos seus direitos, por melhores condições de trabalho, e oferecendo um atendimento de qualidade como filosofia de trabalho.

Além da categoria dos Profissionais Trabalhadores do Ramo da Construção Civil, o Sintracon representa ainda: Ladrilhos Hidráulicos e Produtos de Cimento, Cerâmica para Construção, Pinturas Decorações, Estuques, Ornatos, Artefatos de Cimento Armado, Instalações Elétricas, Oficiais Eletricistas, Gás, Hidráulicas, Sanitária, Montagens Industriais e Engenharia Consultiva.

A Base Territorial de abrangência do Sintracon, inclui os municípios de São Paulo, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, Embú e Embu-Guaçú, Mairiporã, Franco da Rocha, Caieiras, Juquitiba, Francisco Morato e São Lourenço da Serra.

 

Abaixo, a entrevista:

 

Prezado Antonio Ramalho,

Quais são as medidas que o Sindicato da Construção Civil de São Paulo tem tomado para proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores nos canteiros de obras?

Bom, como todos sabem, a construção civil continua a todo vapor aqui em São Paulo. No Estado, o governador decretou, sem critério algum, que o setor faz parte das atividades essenciais para a sociedade. Depois disso, em 19 de março construímos um aditivo da nossa convenção coletiva, adaptando algumas regras de trabalho para combater o novo coronavírus nas obras e, logo após, um fórum permanente. Nossa principal ação no momento é solicitar para as empresas que testem seus funcionários periodicamente. Hoje, mais de 20 obras já realizaram o teste, algumas testando todo mundo e outras apenas os trabalhadores com sintomas da doença. Estamos lutando para que esse número de testes aumente cada vez mais.

Existe algum controle dentro dos canteiros de obras para pessoas com suspeitas de terem contraído a Covid-19? Se for identificado, quais recomendações têm orientado os responsáveis da obra e os trabalhadores nestes casos?

Após a realização do teste, se o resultado for positivo, encaminhamos os trabalhadores ao Seconci-SP, que é o Serviço Social da Construção. Ele conta com uma rede de hospitais que possuem um serviço excelente e com aparelhos de última geração.

Existe alguma medida adotada pelo sindicato obrigando as empresas a disponibilizar EPIs aos trabalhadores nos canteiros de obras?

Sim. Inclusive, assim como falei anteriormente, determinamos esses EPIs no nosso novo aditivo da convenção coletiva. Ali, solicitamos às empresas que ofereçam álcool gel, máscaras e adaptem as estações de higiene das obras para justamente proteger a vida dos trabalhadores.

Em caso de verificação de não haver uso adequado de EPIs e de respeitos às condições de proteção aos trabalhadores, quais as medidas que o sindicato tem tomado?

A nossa atitude é uma só: paramos a obra e só autorizamos seu retorno quando a empresa passar a oferecer álcool gel, máscaras, água, sabão, higienização dos ambientes e começar a contribuir com o distanciamento interpessoal no local de trabalho, revezando horários de almoço e lanches nos refeitórios.

Como é possível fazer um controle no local de trabalho para evitar o contágio do Covid-19 entre os trabalhadores?

O controle que estamos fazendo é através de testes nos trabalhadores. Há empresas testando todos os seus funcionários e outras, apenas nos companheiros com sintomas da doença. Além disso, todos os dias as empresas também medem a temperatura corporal dos trabalhadores na entrada da obra. Caso isso não seja feito, paramos a obra.

Como é possível associar segurança dos trabalhadores contra o Covid-19 e seus empregos?

Por enquanto, defendo a ideia de que o trabalhador no momento está mais seguro na obra do que em casa. Ali na obra pelo menos conseguimos oferecer ferramentas de saúde e vigiar se ele está tomando as providências corretas de distanciamento ou não. No canteiro, o trabalhador tem o técnico de segurança para cuidar disso. Sabemos que a recomendação é de que fiquem em casa. Mas, como muitos deles dividem apartamentos, casas e cômodos com outras pessoas, vivendo infelizmente sem a possibilidade de manter mais de um metro de distância um do outro, tememos que contraiam o vírus também em suas casas.

O senhor acredita que o setor da construção civil será afetado pela paralização da economia diante da epidemia?

Sem dúvidas será afetado, talvez o menos afetado porque permaneceu com suas atividades, mas claro que será. Sabemos que a mão de obra sofre suas consequências, há muita gente afastada por causa dos sintomas ou então por fazer parte do grupo de risco. Há também a questão da confiança do empresariado nesse momento… Realmente o cenário é de crise e vai levar um tempo para todos se estabilizarem. Mas acredito que a construção civil será o setor que vai se recuperar com mais velocidade. O Governo vai injetar 30 bilhões para levantar 70 obras grandes de infraestrutura e mais 300 bilhões para obras de pequeno e médio porte, que totalizam 40 mil. Com esse incentivo, somando a garra do trabalhador da construção civil, temos certeza que nossa recuperação será rápida e o nosso desenvolvimento estará mais próximo do que imaginamos.

É possível estimar o tamanho das perdas de empregos e da economia no setor da construção civil?

Estamos criando um gráfico para estimar o número de trabalhadores que sofreram as consequências em virtude do vírus. Esse gráfico ainda está em construção, pois estamos aguardando todas as empresas preencherem nosso formulário, que enviamos por email, e disponibilizamos em nosso site. Nesse formulário, pedimos que elas nos passem informações de quantos funcionários tiveram seus contratos suspensos temporariamente, foram colocados de férias, tiveram seus salários reduzidos e tudo mais.

Qual é o quadro que o senhor pode nos passar diante do que vivemos e o que podemos esperar daqui para frente enquanto vivermos diante desta epidemia?

Eu sempre tento ser o mais otimista possível. Mas acredito que o certo seria esperarmos o pico da pandemia para projetar qualquer cenário…

Sabemos que a construção civil tem, como históricos, altos índices de acidentes de trabalho, e muito desses acidentes têm a ver com a falta de equipamentos de segurança, o senhor acredita que o uso de EPIs, tão propagados em tempos de pandemia, possa daqui para frente ser mais valorizado pelos trabalhadores e empresas?

Acredito que depois de tudo que estamos vivendo, principalmente na construção civil, o empresário está entendendo que o custo de compra de EPIs não é alto, e representa sim, um investimento.

Quais seriam suas considerações do que poderia mudar daqui para frente no setor da construção civil?

Eu acredito que as coisas já estão mudando. E isso, graças também ao nosso sindicato. Eu acho que as coisas só tendem a melhorar no setor e também no mundo. Eu estava pensando sozinho recentemente e cheguei à conclusão de que essa pandemia está afastando as pessoas fisicamente, mas ao menos unindo todo mundo em prol da solidariedade, paz e amor. Eu só consigo imaginar um mundo melhor depois disso tudo. E incluo a construção civil nesse cenário também.