A população conhece de perto a atuação do fisioterapeuta e os benefícios trazidos por esta profissão, sobretudo os ligados à melhoria da qualidade de vida e à reabilitação. Mas, quando falamos nos especialistas de Fisioterapia Respiratória e Terapia Intensiva, nem todos identificam. Neste momento de comoção mundial por conta da COVID-19, são esses profissionais que arriscam suas vidas, diariamente, na linha de frente de combate contra a pandemia, dentro das UTIs.

Os fisioterapeutas são responsáveis por exercer um papel fundamental no tratamento dos infectados pelo novo coronavírus. Para os pacientes mais críticos submetidos à ventilação mecânica, por exemplo, são eles que definem os parâmetros a serem utilizados e que realizam ajustes e manobras ventilatórias buscando o suporte necessário de volume de oxigênio, pressão e condições de função pulmonar visando o conforto respiratório e a recuperação das disfunções decorrentes da infecção. Estes profissionais garantem, ainda, a higienização pulmonar, o combate à perda muscular, a preservação da qualidade de vida, além de evitarem complicações e atuarem na reabilitação; ou seja, se há alguém que está respirando por aparelhos, o profissional que controla essa respiração é o fisioterapeuta.

Além de lidar diretamente com os infectados pela COVID-19 em um momento crucial, de grande responsabilidade, esses profissionais se expõem o tempo todo ao risco de infecção. Arriscam suas vidas para salvar a do próximo. Um trabalho extraordinário, mas que nem sempre vem acompanhado pela devida valorização e, nem mesmo, proteção. No início da pandemia, fisioterapeutas e outros profissionais da saúdem lutavam nas UTIs do estado sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e insuficientes.

Atualmente, é assegurada aos mineiros uma cobertura assistencial mínima de fisioterapeutas nas UTIs por 18h, a cada 10 leitos, nos turnos matutino, vespertino e noturno. Porém, a classe sustenta a presença 24h, em tempo integral, desses profissionais nas unidades. Pesquisas mostram que os atendimentos de Fisioterapia reduzem em até 40% o tempo de permanência dos pacientes internados em UTI, quando a cobertura assistencial fisioterapêutica é ininterrupta. Para os profissionais da saúde o momento é de muito trabalho. Mas é necessário segurança e condições dignas para isso. Da população, esperamos que faça a sua parte. Prevenindo-se e, quando possível, ficando em casa. O fisioterapeuta nunca faltará ao seu dever de cuidar das pessoas, da melhor forma possível, com responsabilidade e amor ao próximo. Temos formação, competência técnica e expertise. Seguiremos na linha de frente, sem retroceder.