Em todo o Brasil, no mês de março de 2020, a Fundacentro e as Superintendências Regionais do Trabalho realizaram debates sobre as Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – LER/Dort.

De acordo com dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, em 2019, os afastamentos devidos a essas doenças foram de praticamente 39 mil trabalhadores. As possíveis perdas na dificuldade e função de movimentos resultam em grandes impactos pessoais e profissionais dos trabalhadores.

Os desafios trazidos pelo controle de exigências da gestão são grandes. São desafios impostos pelos limites humanos – físicos, emocionais e mentais, pela exigência psicomotora e de cognição, e do conteúdo de dimensão emocional.

A ergonomia entra como fator imprescindível, em que o trabalho deve se adaptar ao trabalhador, e não o inverso. Dessa forma, consegue-se reduzir o indicador de adoecimento.

“Somente uma abordagem multidisciplinar pode levar a um ambiente de trabalho seguro e saudável e a trabalhadores motivados para exercer suas atividades, gerando produção e crescimento econômico”, defende a gerente de Projetos Estratégicos da Fundacentro, Erika Benevides.

A EU-Osha (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho), em campanha realizada de 2017-2020, a partir de 15 estudos de caso, indica ações de prevenção às LER/Dort para o melhoramento das condições de trabalho, aumento da satisfação dos trabalhador, redução de taxas de absenteísmo e aumento da capacidade de produção aliada à qualidade dos produtos.

Em evento de São Paulo, promovido pela Fundacentro também foi apresentado o ‘Projeto de Fiscalização em Ergonomia’ realizado no Estado. Os principais itens fiscalizados, segundo o auditor fiscal do Trabalho, Marcel Sousa, são o transporte manual de cargas, mobiliários e equipamentos de postos do trabalho, condições ambientais do trabalho, organização do trabalho, conforme a NR 17 (Ergonomia).

Foram discutidos ainda, aspectos sobre a importância da organização do trabalho, na NR17 e a importância das ações regressivas acidentárias – propostas pelo INSS para obtenção de ressarcimento das despesas previdenciárias com os acidentes do trabalho ocorridos por dolo ou culpa do empregador devido ao descumprimento legal. Em 2019, 225 ações foram ajuizadas, com expectativa de ressarcimento de R$ 94.796.645,50.

No Espírito Santo, Antônio Carlos Garcia, tecnologista aposentado da Fundacentro, abordou aspectos importantes sobre identificação de riscos ergonômicos no trabalho. José Marçal Jackson Filho, pesquisador, proferiu palestra no Paraná sobre “A Normatização em Ergonomia para Prevenção de Agravos Relacionados ao Trabalho”.

O tecnologista da Fundacentro Leo Vinicius Liberato abordou a “Organização do trabalho, Fatores Psicossociais e LER/Dort”, em Santa Catarina. Laura Nogueira tratou dos impactos psíquicos do adoecimento por LER/Dort no Pará. Na Bahia Soraya Wingester Vasconcelos participou da mesa redonda: “O papel das instituições, dos sindicatos, dos empregadores e dos movimentos sociais na prevenção da LER/Dort”.