Dentre os primeiros seres que habitaram o mundo, destacam-se os germes como fungos, ácaros, bactérias e vírus. Sabe-se que todos estes germes, em diferentes circunstâncias, estão presentes no solo, nas águas, no fundo de rios e mares, como também no ar.

Em geral, em situações de violação do equilíbrio natural, estes germes podem se disseminar e produzir doenças.

Estudos de microbiologia e parasitologia, ao longo dos séculos, permitiram documentar quase que a totalidade de características anatômicas e funcionais destes germes, inclusive identificando o potencial de patogenicidade dos mesmos no corpo humano.

O momento é propício para uma discussão acerca dos vírus, já que estamos vivenciando uma pandemia global do coronavírus. E, sobretudo, propício para uma discussão sobre a correlação entre a patogenicidade viral e a saúde cardiovascular.

Antes disso, vale a ênfase para o fato de o coronavírus não ser um “vírus novo”, mas sim um vírus pouco conhecido no tocante às suas particularidades, quando em atividade no corpo humano. Como já pontuado, os germes são seres milenares, sem data precisa de seu surgimento.

A probabilidade de uma infecção viral, qualquer que seja o vírus, causar um agravo cardiovascular é eminentemente pequena. No entanto, existe um quadro denominado miocardite viral, que merece atenção e esclarecimentos.

O músculo do coração chama-se miocárdio e sua função primordial é executar a função de uma bomba propulsora, ejetando sangue para os pulmões e para todos os outros órgãos e estruturas corpóreas.

Sem este mecanismo pleno, pode existir vida, mas com muita limitação e restrições.

A ocorrência de um processo inflamatório do miocárdio consiste na miocardite, sendo que uma infecção viral pode ser causadora deste quadro. Não necessariamente o vírus atinge primariamente o miocárdio; na maioria dos casos, o indivíduo pode estar apresentando uma infecção viral de vias aéreas ou até uma infecção viral digestiva e, secundariamente, a infecção viral se estender até o miocárdio, desencadeando a miocardite viral.

Os indivíduos portadores de miocardite viral apresentam sintomas de um processo inflamatório genérico associado a sintomas de insuficiência cardíaca. Sintomas genéricos seriam febre, prostração e dores generalizadas pelo corpo; os sintomas de insuficiência cardíaca seriam cansaço progressivo, tonturas, palpitações e inchaço nos membros inferiores.

Este tipo de miocardite costuma apresentar um curso agudo, uma vez que o período entre o “ataque viral“ ao miocárdio e o surgimento dos sintomas tende a ser curto.

O tratamento da miocardite viral não é um tratamento específico, ou seja, não existe o tratamento específico para o vírus causador, mas sim medidas terapêuticas voltadas para os sintomas e complicações.

A miocardite viral pode ser branda e controlada por meio de repouso, observação e exames complementares. Nos casos mais complicados, o indivíduo precisa ser acompanhado diariamente em uma unidade de terapia intensiva, além de receber carga maior de medicamentos que auxiliem no desempenho miocárdico.