O mundo já não é o mesmo. Estamos aprendendo com um ser microscópio que nossos hábitos devem mudar.  Cuidados necessários para evitar o contágio além dos já tomados em hospitais ao longo dos últimos dois séculos, agora se estendem para todos os lugares.

Foi preciso investigar o motivo pelo qual, no ano de 1847, um mal rondava a Europa, chamado à época de febre puerperal. Já citado em registros médicos egípcios, há mais de 2 mil anos, muitas parturientes morriam nas enfermarias dos grandes hospitais do século 19. Uma descoberta modificou essa situação quando um médico descobriu que o problema estava nas mãos sujas dos obstetras que contaminavam as mulheres. A chave para vencer o mal era lavar as mãos.

De lá para cá, a área médica vem adquirindo cada vez mais cuidados para evitar contaminação,  infecção cruzada e morte. Hoje, munido de Equipamento de Proteção Individual, se depara com a insuficiência dessa proteção diante do novo coronavírus.

Denominado provisoriamente de 2019-nCoV, ou Covid-19, foi identificado pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, China, em pessoas expostas em um mercado de frutos do mar e de animais vivos. Cultural nesse país, tal exposição motivou pensar que se tratava de um vírus vindo de tais produtos. Em aproximadamente 2 meses, chegou em toda a Ásia, na Europa e de lá para o resto do mundo.

A exemplo dos surtos causados por dois outros coronavírus respiratórios humanos que surgiram nas últimas duas décadas (SARS-CoV/ síndrome respiratória aguda grave, e MERS-CoV/ síndrome respiratória do Oriente Médio), o novo coronavirus COVID-19 também causa doença respiratória, mas potencialmente grave em alguns indivíduos, em particular, idosos com ou sem comorbidades. Pacientes jovens com problemas cardiorrespiratórios, fumantes, hipertensos e diabéticos estão no grupo de risco.

O Covid-19 vem trazendo mudanças de hábitos, tal como foi visto ainda no século XIX; a diferença é que a lavagem de mãos somente não dá conta, já que o vírus se deposita em qualquer lugar. Hoje é preciso deixar sapatos separados e limpos antes de entrar em casa, alimentos passando por processos como refrigeração e lavagem de embalagens, uso de álcool gel e até afastamento de familiares de grupo de risco – fundamental para evitar a disseminação – são medidas, além de ficar em casa se possível, e sair só em caso de necessidade.

Diante dessa nova doença, de repente a linha de frente dessa guerra provocada por um vírus foi tomada não somente por profissionais de saúde, mas por todos que necessitam suprir e abastecer as populações do mundo inteiro. São eles: trabalhadores do setor alimentício, de medicamentos, de transporte de carga e de passageiros. O isolamento trouxe prejuízos, sim, mas trouxe criatividade e abasteceu setores do ‘delivery’. Temos que reconhecer que nunca se comprou tanto pela internet e por whatsapp.

E com o quadro ora posto, não há como pensar que medidas adotadas serão esquecidas. Sempre há a possibilidade de uma onda, como dizem os especialistas em epidemiologia. Devemos estar preparados. Com o advento do HIV/Aids, uma das pandemias do século XX ainda não vencida, embora controlada, medidas protetivas foram adotadas e mantidas, desde o sexo seguro com o uso de camisinhas até o atendimento médico-odontológico – hospitalar.

No caso dessas serem no âmbito do trabalho, chamamos de biossegurança, sendo representada por um conjunto de medidas que busca minimizar os riscos inerentes a uma determinada atividade. Os riscos a serem minimizados ou mesmo evitados, são aqueles que podem causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

Sabemos que uma das principais normas de biossegurança em hospitais, clínicas e laboratórios diz respeito à higienização das mãos. Com o Covid-19, a população vem aprendendo a não só higienizar as mãos, como alimentos, sacolas, sapatos. A higiene pessoal tomou uma importância jamais vista, pois, ao se acreditar trazer o vírus para dentro de casa e contaminar as famílias, as pessoas passaram a tomar mais banhos e mais vezes, lavar as mãos e proceder com a limpeza mais pesada em casa.

O Covid-19 é revestido por uma camada de gorduras e proteínas. O sabão, por ser uma substância que quebra a gordura, consegue desfazer o envelope viral (parte externa do vírus, composta justamente por gordura), assim como o fato de poder ser inativado em um minuto, ao se desinfetar as superfícies com álcool ou 0,5% de água oxigenada ou água sanitária contendo 0,1% de hipoclorito de sódio, que são produtos de limpeza doméstica comuns. Daí a orientação de passar os alimentos embalados ou em lata por um procedimento de água e sabão, ou de uma mistura de água sanitária e água.

Mas e os trabalhadores que estão na linha de frente?

 

Para responder essa questão, voltemos ao Covid-19. Esse vírus facilmente se espalha por gotículas no ar, principalmente por meio de tosse e espirro, depositadas desde as mãos às superfícies diversas. As transmissões entre pessoas apresentam tempo de incubação entre 2 e 10 dias, e apresenta alta taxa de contágio, podendo sobreviver fora do corpo humano.

O vírus permanece por 24 horas em superfícies de papelão, enquanto em superfícies de plástico e de aço inoxidável, por cerca de 72 horas. Em vidro ou madeira, o vírus pode permanecer por até 4 dias, em outras de alumínio ele ficará vivo por cerca de 8 horas. No entanto, em superfícies de cobre, morre após 4 horas.

Diante dessas informações, pensemos principalmente nos empregados dos correios, porteiros, trabalhadores de Delivery que mexem com papel e papelão diariamente. Pensemos o quanto necessitam se precaver pelo uso de máscara e álcool gel a todo instante, mas talvez não estejam sendo supridos pelas empresas.

Por outro lado, a biossegurança nos supermercados e drogarias foi a adoção de escudos nos caixas, uso de Face shield, limpeza da esteira, de cestas e carrinhos, e distanciamento entre os clientes por marcações no chão, além de medição da temperatura e acessibilidade ao uso do álcool gel distribuído para uso nas lojas.

Para os profissionais de saúde, em particular, os mais expostos são os cirurgiões-dentistas. A necessária revisão está sendo processada. Os aerossóis produzidos pelos instrumentos rotatórios como a caneta de alta-rotação, a seringa tríplice ou os aparelhos de ultrassom podem contaminar qualquer superfície exposta no consultório odontológico e, dependendo da mesma, assim como temperatura e umidade do ambiente, o vírus pode permanecer ativo por algumas horas ou até por alguns dias.

Desse modo, somente jaleco, luvas, máscaras e óculos de proteção, já estão fazendo parte do passado. Hoje, além de tudo isso, retorna o Face Shield como uso comum em biossegurança, bem como o hábito de agregar o pijama cirúrgico descartável ou não, sem deixar nada mais exposto. Acrescente-se ainda, mais um equipamento para oferecer maior proteção anti-aerossóis e dar continuidade aos atendimentos odontológicos de maneira mais segura – uma proteção criada pelos cirurgiões-dentistas feita como uma estrutura de proteção de cano de PVC e papel filme, que está conseguindo reduzir em 70% a segurança dos profissionais de odontologia. Este método também tem sido adotado atualmente nas UTIs de Covid-19.

Não somos imunes às ameaças microbiológicas, mas devemos conhecê-las e jamais subestimá-las. Enfrentamento traz o melhor de cada um de nós quando este é feito com esperança.