Esta pandemia levou as pessoas para dentro de suas casas, fechou empresas, comércios, restaurantes e silenciou as ruas. Colocou para dentro de casa centenas de famílias, adultos e crianças, avós, pais e filhos, trabalhadores, ricos e pobres, ao mesmo tempo em que nos distanciou fisicamente uns dos outros. Esta pandemia levou do seio de suas famílias crianças, jovens, adultos e muitos idosos. Ceifou projetos de vida, sonhos legados, histórias e o mais triste de tudo isto é que muitas pessoas não puderam despedir-se dos seus familiares ou suas famílias não puderam despedir-se e velar seus corpos.

Num mundo em que muitos querem ser grandes, quase que a humanidade foi derrubada pelo “invisível”, e quem é que poderia imaginar se a pessoa ao lado, estaria ou não infectada?

O Vírus parou o mundo para mostrar ao mundo que sozinhos não somos capazes de vencer este inimigo “invisível”. Foi preciso um longo período de quarentena, mas que de nada adiantaria se o mundo inteiro não fizesse o mesmo.

Estamos a viver ainda esse grande desafio: o combate contra o vírus, os efeitos causados por esta pandemia e a adaptação a esta nova realidade. É preciso desenvolver um novo jeito de caminhar e permanecer dando novos passos, mesmo atrelados à incerteza do que este novo mundo nos trará. O impacto da pandemia assolou o mundo inteiro numa velocidade avassaladora em vários aspectos, sobretudo a nível econômico, familiar, social, organizacional, formas de trabalho e civilização.

Desde as primeiras atitudes dos nossos governantes, a fim de evitar a propagação do novo coronavírus, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), até aos dias atuais, a pandemia provocou inúmeras alterações e o planeta Terra mudou, sofreu um impacto imediato e ainda que temporariamente, o seu efeito é positivo, pois com isso, o ar também mudou, os rios e os oceanos ganharam cor e vida; por outro lado, houve um grande aumento no consumo de energia nos hospitais e nos materiais plásticos descartáveis, para que o mundo pudesse se proteger e para que mais vidas pudessem ser salvas.

É óbvio que o mundo mudou e que não é mais o mesmo, em vários aspectos, que para continuar a caminhar neste novo mundo, as pessoas não podem manter os seus velhos hábitos, é necessário continuar a desenvolver esse novo jeito de caminhar e não perder essa aprendizagem de que sim, o ser humano é capaz de se reinventar e programar novos hábitos.

Grandes escritores dizem que, para se ter um dia produtivo e uma vida de sucesso, deve-se por começar por fazer a própria cama. E, diante deste cenário, qual foi a mensagem que o vírus deixou, ao colocar as pessoas dentro de suas casas?

O novo CoronaVírus lançou um desafio que ninguém imaginava e nem sequer deu o direito de escolha! E assim fez, colocou cada ser humano a olhar para si, para a sua família e a sua casa, para os seus amigos, para o seu trabalho, para a sua empresa e para os seus colaboradores! Fez-nos olhar para a fragilidade da vida, por um único motivo: o mundo não muda por fora, se as pessoas não mudarem o que está do lado de dentro! E, mesmo se o mundo mudar por fora, os hábitos aos quais as pessoas estavam acostumadas não se encaixariam e as pessoas, então, teriam que se dar conta de que é necessário “Pensar fora da caixa”.

E quem souber ver este momento, identificar os ensinamentos que a pandemia queria deixar para a humanidade e fazer desta experiência uma grande oportunidade de aprendizagem, certamente saberá como melhor ajustar os seus passos conforme este novo jeito de andar.

Diante de tantas mudanças, a tecnologia foi uma grande aliada e que agora, mais do que nunca, se tornou a chave. Ela sempre esteve à volta, porém agora fez com que o mundo aprendesse a utilizá-la e, com isto, frente ao fechamento de muitas empresas, outras passaram a trabalhar fortemente por meio dela.

O mundo está em pé de igualdade. O momento é de se tornar em quem não foi, de aprender o que não aprendeu, de aprender a desabituar-se no sentido de compreender o que estamos a passar e buscar mecanismos para desenvolver novas habilidades, capacidades, visões, traçar novos objetivos e estratégias para os atingir. É tempo de olhar para os resultados das reflexões que a quarentena nos fez passar e estruturar novas atitudes aliadas, a uma postura muito mais humanizada.

Depois do vírus, vem o desconhecido, e vêm também as descobertas!  Essa mudança toda e o sentido de resiliência e de adaptabilidade levou a humanidade ao fortalecimento e desenvolvimento emocional, ou, pelo menos, a querer desenvolvê-lo. Porém, isso não significa que o mundo não venha a passar por outras adversidades neste aspecto.

Com este acontecimento, alguns comportamentos organizacionais estão a revelar novas práticas de trabalho, novos modelos, um modelo que vai ao encontro do perfil das novas gerações, gerações estas que nasceram em “berço” tecnológico e que tem sido o desafio das gerações anteriores.

E é aí que está o encontro com o “temido” desconhecido, mas que, se for reverberado como uma oportunidade de desenvolvimento para essa nova realidade, tornar-se-á uma boa descoberta e aliada para novas estratégias. É saber que “No veneno está o antídoto” (Milton Erickson) e sempre é possível ressignificar, dar um novo sentido às experiências da vida, por mais difíceis que elas tenham sido.

Por outro lado, o vírus desacelerou o consumismo, o orgulho, o egoísmo, permitiu mostrar às crianças e aos jovens do amanhã que é possível melhorar o diálogo entre as famílias e o respeito para com as outras pessoas, mostrou o valor da conexão e que jamais devem desistir de lutar pela vida, independentemente do tamanho do obstáculo e da adversidade.

O vírus veio para mostrar ao mundo que, para salvar a humanidade, foi preciso que o planeta parasse. Veio mostrar que todo ser humano exerce um papel importante no mundo e na vida um do outro. E depois do vírus?

É preciso desenvolver um novo jeito de caminhar e permanecer dando novos passos, mesmo atrelados à incerteza do que este novo mundo nos trará. Será o resultado que cada ser humano vier a mostrar ao mundo da melhor transformação que essa aprendizagem tenha feito em si, sem deixar de lado o valor pela vida e que, cada vez mais, se torne mais humanizada, para que o planeta prospere, refletindo no que melhor a humanidade pode contribuir nesta etapa do novo mundo.