Quando o isolamento social virou realidade e o home office se tornou o novo normal no mundo corporativo, era comum o pensamento de que empresas com o time jovem estavam despreocupadas. A ideia era que, com uma equipe cheia de gente que domina a internet e os dispositivos digitais, os problemas seriam menores e os gestores dos times passariam tranquilos por esse momento histórico.

Nem precisa dizer que não foi bem assim, certo? Passados quase dois meses de quarentena, a gestão de um time à distância continua sendo um desafio para muitos negócios, inclusive aqueles cujas equipes têm nativos digitais e gerações muito familiarizadas às tecnologias.

Isso porque, se dominar as ferramentas não é um problema, há muitos outros obstáculos, como a disciplina e o equilíbrio no cumprimento de horários, a manutenção de produtividade, o trabalho em equipe e a motivação. A dificuldade se intensifica porque ninguém teve tempo de se preparar: uma coisa era trabalhar um dia de casa e usar ferramentas digitais para questões pessoais. Mas trabalhar todos os dias de home office e transportar processos remotos da empresa para o online não é tão simples assim.

Um dos maiores desafios, sem dúvidas, é o equilíbrio no cumprimento de horários dos funcionários. E nesse ponto há problemas nos dois extremos: procrastinação e excesso de trabalho. Alguns times jovens podem ter um senso de responsabilidade menos aguçado do que equipes com pessoas mais velhas. Muitos deles poderão se perder na rotina, gastar mais horas que deveriam em tarefas paralelas e produzir menos.

Mas, o oposto também pode acontecer. Engajados com o propósito da empresa e sem seguir rotina, eles podem simplesmente não parar de trabalhar. Eles acordam trabalhando e vão dormir no trabalho, o que pode ser muito prejudicial. No início pode até ser que tenham picos de produtividade, mas isso tem um preço e, em pouco tempo, estarão tão esgotados e mentalmente sugados que sua produtividade cairá drasticamente.

 

O ideal é que a empresa estabeleça algumas regras sobre o tempo de produção. Se o gestor não quiser impor um horário de trabalho fixo, então é importante que reforce a necessidade do controle das horas trabalhadas. Uma estratégia simples de cuidado é perguntar aos funcionários sobre como está sua vida fora do trabalho, incentivar o tempo de lazer e o relacionamento com a família.

Outro desafio é manter a cultura do trabalho em equipe. Algumas pessoas podem se sentir como ilhas e perderem a noção de cooperação e dos objetivos comuns na empresa. Se o gestor criar algumas estratégias de encontros semanais por videoconferência ou até estações de trabalho conectadas, onde as pessoas podem mutar e desmutar microfones, então essa sensação de estar trabalhando sozinho pode ser minimizada. Há diversas empresas que estão provendo até happy hours online para fortalecer os laços.

Negócios que têm uma cultura de gestão de pessoas baseada no controle também podem estar sofrendo mais. Antes da pandemia essas empresas faziam o que chamamos de microgerenciamento, que é aquele acompanhamento na cola no funcionário, que inclui uma passada atrás da mesa para verificar a produção. A verdade é que isso já não era legal antes do Coronavírus e, agora no home office, é impossível.

Entenda: não dá para fazer microgerenciamento nessas condições e, se você tentar, pode ser muito desgastante para todas as partes. Quem sabe essa não é uma oportunidade para trabalhar um time mais autônomo?

Para isso o gestor precisará dar as ferramentas certas para a execução do trabalho e confiar no seu time. Não adianta entregar responsabilidade se o funcionário não tem os recursos para trabalhar, assim como não faz sentido delegar e ficar fazendo junto para garantir. Ter um time autossuficiente depende também do quanto o gestor está disposto a acreditar em sua própria equipe.

A verdade é que se o gestor prestar bem a atenção, essa pode ser a oportunidade perfeita para dar um salto de qualidade na cultura organizacional. A comunicação terá que ser melhor porque não dá para ir até a mesa do outro explicar algo. Os processos têm que ser claros para que ninguém se perca na rotina. Os funcionários terão que cooperar mais para que o trabalho em equipe funcione. O gestor terá que cuidar mais do bem-estar do seu time.

Sim, gerir um time jovem ou de qualquer faixa etária à distância está longe de ser uma tarefa simples. Mas, os resultados dessa experiência podem ser muito melhores do que você jamais poderia supor antes da pandemia.