A preocupação com a saúde mental estava em pauta nos últimos anos, mas definitivamente passou a fazer parte das estratégias de empresas com a pandemia: os riscos à saúde, o confinamento, o distanciamento social e as incertezas desse período, que já ultrapassa 15 meses, causaram mudanças permanentes tanto nos funcionários quanto nas relações de trabalho. Hoje, as empresas estão aperfeiçoando suas estratégias de retenção e desenvolvimento dos times e a questão da saúde mental converge com isso.

O feedback dos colaboradores em relação ao apoio emocional tem sido positivo e contribuiu para agregar uma visão positiva da empresa e sua preocupação com as pessoas. Mas ainda há o que melhorar, e o mais importante a se fazer para ajudar na saúde mental dos colaboradores é se comunicar.

Um levantamento elaborado pela Kenoby, realizado em fevereiro e março deste ano, mostrou que a falta de diálogo com liderança e colaboradores, falta de feedbacks e falta de espaço para opiniões são os principais motivos que levam a problemas mentais no trabalho.

Esse é um dos motivos também pelos quais ainda há resistência em aderir ao formato remoto de trabalho: muitos líderes enfrentam dificuldades na comunicação com sua equipe, no engajamento dos colaboradores e no alinhamento de metas. Esse é um trabalho importante que empresa e RH devem fazer. Os gestores precisam aprender a se comunicar melhor com as suas equipes, entender como estão os seus colaboradores, se eles estão com problemas em casa, se estão fragilizados por algum motivo de força maior… Isso fará com que eles sejam compreensivos no caso de uma queda de produtividade, por exemplo.

E comunicar também é ser transparente. Não é preciso muito para ver que a pandemia afetou a maioria dos negócios. A dúvida com relação a real situação da empresa pode interferir diretamente no desempenho dos profissionais que atuam nela. Por isso indico que sempre que for possível, é importante que os gestores conversem com a equipe sobre o cenário que a empresa está vivendo. Revelar que a situação é crítica pode não ser visto como uma fraqueza, mas sim como uma motivação para todo mundo se empenhar ainda mais para virar o jogo.

Além do cuidado com o ser humano, essa também é uma questão financeira: a OMS, por exemplo, calculou que a depressão e a ansiedade causam uma perda de aproximadamente US$ 1 trilhão na economia mundial por ano. Por outro lado, a mesma pesquisa afirma que, para cada US$ 1 investido em na saúde e bem-estar mental dos colaboradores, US$ 4 são percebidos em ganhos com o aumento da produtividade. Esses dados nos ajudam a mostrar a importância disso para as empresas e profissionais como um todo.

Tudo isso é parte de um núcleo de extrema importância em qualquer corporação: a cultura corporativa. Se a maneira de trabalhar, a flexibilidade e o comprometimento com a entrega já são pontos bem claros entre os colaboradores, a empresa consegue fazer qualquer ajuste necessário para se adequar a este novo momento. Isso dá mais segurança aos líderes e aos funcionários, que se sentem menos sobrecarregados e preocupados, colaborando para sua saúde mental. A pandemia colocou as pessoas no centro de tudo, e colocar o cuidado com seus funcionários como prioridade é cuidar e respeitar aqueles que movem a empresa diariamente.