Sejam as inúmeras cobranças por resultado, relações mal resolvidas com chefes e até a pressão exercida por si mesmo ou pela família para obter cada vez mais sucesso, muitas vezes, o ambiente corporativo é o responsável por criar alguns gatilhos que acabam danificando a saúde dos profissionais que trabalham naquela empresa.

Mas por que este tema está cada vez mais em evidência? A saúde mental no trabalho é importante para que as pessoas não ultrapassem os seus limites.

Segundo dados da OMS, a depressão é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo e se tornará a primeira em 2030. A organização estima que os transtornos causados pela baixa produtividade dos profissionais que sofrem dessa doença custam cerca de 1 trilhão de dólares anualmente.

Os dados são alarmantes! Na maioria das vezes, as pessoas com esse tipo de problema não procuram o RH para pedir ajuda por se sentirem envergonhadas ou temerem que sua avaliação seja prejudicada. Por isso, o papel do time é mostrar que o colaborador não precisa enfrentar nenhuma dificuldade sozinho.

A saúde mental está muito além de ser apenas um impedimento na produtividade porque também garante uma menor incidência nos casos de doenças mentais e acidentes nas equipes.

Quando falamos sobre saúde mental no trabalho, três termos já estão diretamente associados: depressão, estresse e a síndrome de Burnout.

Qual a diferença entre eles?

Para a OMS, o burnout não é uma condição médica, mas um fenômeno ligado ao trabalho. Já a depressão é uma doença psiquiátrica crônica. O estresse, por sua vez, é uma resposta do corpo às circunstâncias do dia a dia. Ele pode ser um indício de alguma doença ou apenas uma reação pontual a condições externas, negativas ou positivas.

A síndrome de burnout, apesar de não ser considerada uma doença, é uma consequência do estresse ocupacional. Ela pode ser decorrente de uma carga horária excessiva, falta de reconhecimento dos chefes ou de um cansaço profundo que não se resolve apenas com descanso ou férias. Os principais efeitos do burnout são: cansaço excessivo físico e mental, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração e alteração nos batimentos cardíacos.

A depressão, por outro lado, acomete mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a OMS, e pode ser uma condição de saúde muito grave, especialmente quando é classificada com intensidade moderada ou severa. Os principais sintomas são: perda de prazer, irritabilidade, distúrbio do sono, cansaço, falta de vontade de fazer coisas ou esforço extra para fazer as coisas, choro fácil, apatia, falta de memória e de concentração.

Por fim, o estresse, diferentemente da depressão, é a maneira como o corpo reage diante das situações de grande esforço emocional. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS) mostrou que 34% dos entrevistados tinham um nível de estresse considerado excessivo. Até doenças ligadas aos sistemas nervoso e digestivo podem estar relacionadas ao estresse.

Quais os impactos da saúde mental nos custos da empresa?

Além dos impactos na saúde mental dos colaboradores, essas doenças também repercutem nos custos organizacionais, pois uma força de trabalho doente falta com mais frequência, onera os planos de saúde e reduz sua produtividade.

Outro fator que impacta as contas é o absenteísmo. Seja na reposição da atividade, na substituição da mão de obra ou no seu retorno ao trabalho, a empresa precisará aplicar certo capital nos gastos organizacionais.

Caso o turnover também venha a ser um problema, a empresa ainda investirá com processos seletivos, capacitação da equipe, questões burocráticas de contrato, e muito mais. Torna-se, portanto, um diferencial estratégico refletir sobre as boas práticas e empregar novas políticas de qualidade de vida na empresa.

Sabemos que lidar com essas questões não são missões simples. Felizmente, hoje, pessoas com depressão estão parando de sofrer sozinhas e compartilham suas experiências para que todos possam buscar ajuda e aprender a lidar com as crises.

Como o RH deve lidar com a saúde mental do colaborador?

Em primeiro lugar, a organização deve trabalhar para que o ambiente corporativo não seja causador de transtornos mentais nos colaboradores. Para isso, é preciso construir um clima interno positivo, desenvolver bons líderes e oferecer equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Uma opção é o programa de saúde mental: um conjunto de iniciativas que buscam cuidar da saúde mental dos funcionários, aumentando a qualidade de vida no trabalho por meio de medidas de prevenção, identificação, apoio e reabilitação.

Também é necessário distribuir bem as tarefas, para evitar que os colaboradores fiquem sobrecarregados, assim como criar eventos de interação social. Bons relacionamentos com os colegas são importantes para deixar a rotina mais leve.

A outra parte do programa de saúde mental é relacionada ao apoio e tratamento. Sempre vale oferecer auxílio em casos de transtornos psicológicos, independentemente de eles terem sido causados por fatores ligados à empresa ou não.

Dessa forma, os colaboradores se sentem acolhidos pela empresa e têm acesso às medidas adequadas para cuidar de possíveis transtornos psicológicos. E isso garante a saúde, não apenas do profissional, como também, da organização.