Anualmente milhões de toneladas de resíduos industriais são produzidas em todo o Brasil. Como o nome já indica, esse tipo de rejeito é oriundo da produção industrial. Por ter composição mista, quando descartado de maneira inadequada o resíduo pode se tornar perigoso tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública. Como solução para ver-se livre dos rejeitos produzidos, muitas empresas acabam encaminhando suas “sobras” para aterros industriais.

No entanto, com mudança da percepção ambiental, muitas organizações têm buscado outras formas de destinação do lixo para garantir o descarte correto e reaproveitamento de seus rejeitos. Isso se deve, em grande medida, à legislação ambiental do país — em especial a Política Nacional de Resíduos Sólidos — e a implantação do sistema de gestão ambiental — por meio da norma ISO 14001 —, que contribuíram para aflorar nas empresas o senso de responsabilidade ambiental.

Assim, apesar de ainda considerados pelo Ministério do Meio Ambiente como o sistema adequado para disposição final de rejeitos que não podem ser aproveitados, os aterros industriais lentamente têm caído em desuso em função dos danos que podem causar aos lençóis freáticos e ao solo, por exemplo.

Com a intenção de ajudar a entender como funciona um aterro industrial, conscientizar do motivo de não usá-lo e indicar alternativas para descarte dos resíduos, preparamos esse artigo.

O que é aterro industrial?

Imagem: Tambor descartado em aterro industrial

Existem, por assim dizer, três tipos de aterros: os sanitários, os industriais e os controlados, sendo que cada um exerce uma função quando o assunto é o descarte de resíduos. O aterro controlado pode ser compreendido, por exemplo, como uma tentativa de transformar os lixões em aterros sanitários, que quando bem construídos causam impactos menos perceptíveis ao meio ambiente e são tidos como uma forma ecologicamente correta de destinar os rejeitos sólidos urbanos produzidos pelos habitantes de grandes cidades. Já os aterros industriais também são entendidos como um espaço de armazenagem para resíduos sólidos, porém nele são alocados resíduos provenientes de indústrias dos mais variados setores.

Nesse sentido, os aterros industriais são classificados conforme a periculosidade dos rejeitos que são destinados para ele. Essa distinção segue as prerrogativas estabelecidas pela NBR 10004, que classifica os rejeitos conforme sua composição e característica nas seguintes categorias: a classe 1 é utilizada para identificar resíduos tidos como perigosos, os quais podem vir a causar/oferecer risco para o meio ambiente ou para a comunidade em função de sua inflamabilidade, toxicidade e corrosividade, por exemplo; já a classe 2 indica o descarte de resíduos não perigosos e pode ser subdividida em Classe IIA (para resíduos não inertes, que podem apresentar traços de biodegradabilidade e solubilidade em água) e Classe IIB (para resíduos inertes, que quando colocados em contato com a água não alteram sua potabilidade).

Aterro industrial: como funciona?

Para criar aterros industriais vários fatores devem ser observados, sendo necessário contar com a autorização do órgão ambiental responsável, que detalha a forma de disposição e as restrições para o alocamento dos resíduos conforme sua periculosidade. O não cumprimento das normas estabelecidas pelo detalhamento, que descreve o tipo de material que pode ser destinado àquela área e dispõe sobre o volume suportado pelo local, pode acarretar na cassação da licença.

Imagem: Aterro sanitário

O funcionamento de aterros industriais de Classe 2 é relativamente simples e, assim como os aterros sanitários, eles funcionam a partir da compactação dos resíduos depositados, que serão sobrepostos por novas camadas de rejeitos. Diferentemente dos aterros urbanos, no entanto, os aterros industriais contam com duas camadas de impermeabilização, sendo uma superior e outra inferior.  O nível de base é composto de uma manta sintética — que deve ser resistente quimicamente aos resíduos dispostos, às intempéries e a perfurações/lacerações de qualquer material, por exemplo — sobreposta a uma camada de argila. Essa camada inferior deve-se manter a uma distância de pelo menos dois metros de lençóis freáticos. Já o nível superior é composto pela mesma manta sintética utilizada no nível inferior sendo coberto por uma camada de argila e outra do solo original, de forma a garantir o recobrimento do solo com vegetação nativa.

No caso de aterros Classe 1, que como já vimos são utilizados para destinação de resíduos sólidos perigosos — normalmente contaminantes e tóxicos — é necessário escolher uma área naturalmente impermeável, caracterizada pela predominância de material argiloso e pelo baixo grau de saturação do solo. Esse tipo de aterro também conta com as duas camadas de impermeabilização e, em ambos os casos, os aterros industriais contam com estações para o tratamento de gases liberados pelos materiais descartados, sistema de drenagem das águas pluviais e ambientes especiais para armazenagem e manutenção.

Vale lembrar que independentemente de sua classe e da periculosidade dos resíduos alocados, um aterro não pode ser instalado próximo a áreas de inundação, de recarga de aquíferos, de proteção de mananciais ou próximos a mangues, de habitat de espécies protegidas, de ecossistemas frágeis ou de qualquer espaço definido como área de preservação ambiental permanente.

Qual a importância do destino adequado de lixos industriais?

Agora que se entende o funcionamento básico dos aterros industriais e se conhece as camadas que o compõem, já se deve ter algumas ideias do motivo desses espaços, que quando mal construídos, podem causar impactos ambientais sérios.

Um dos motivos para evitar o descarte de efluentes nesses espaços está relacionado aos lençóis freáticos e ao solo, que teoricamente estariam protegidos contra vazamentos de substâncias tóxicas.

No entanto, muitos aterros são construídos de maneira irregular, sem respeitar as normas previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e assim muitos lençóis de água e a terra acabam sendo contaminados quando o lixo é descarregado diretamente no solo, com pequena possibilidade de recuperação. A contaminação por metais pesados, por exemplo, pode culminar na magnificação trófica — fenômeno que ocorre quando existe um acúmulo progressivamente maior de uma substância tóxica de um nível para o outro ao longo da cadeia alimentar.

 

Qual o melhor tratamento para o lixo industrial?

Como se não bastassem as razões ambientais, existe também um fator econômico que deve ser considerado para evitar o uso de aterros industriais: quanto mais resíduos são destinados para esses locais, menos são reciclados e reutilizados. Nesse sentido, muitas empresas têm percebido que o melhor tratamento para o lixo industrial se encontra no reaproveitamento energético ou coprocessamento que são, por exemplo, alternativas mais rentáveis e ecologicamente mais eficientes do que os aterros industriais.

Contar com a ajuda de uma empresa de gerenciamento de resíduos é sinônimo de preocupação ambiental. Isso porque um de seus propósitos é ampliar o reaproveitamento energético, diminuindo a criação de rejeitos, a utilização de combustíveis fósseis e eliminando a disposição de rejeitos em aterros que, como observamos, é tão prejudicial.

Vale lembrar, ainda, que a há empresas que possuem soluções eficientes e práticas para garantir agilidade nos processos das empresas clientes, uma vez que tudo está centralizado em um único fornecedor, facilitando a comunicação e a cobrança entre a contratante e o prestador de serviço, bem como a realização das atividades relacionadas aos resíduos e a emissão do CDF (Certificado de Destinação Final), necessário à manutenção da ISO 14001.