“A regra de ouro da conduta é a tolerância mútua, porque nunca pensamos todos da mesma forma e sempre veremos só uma parte da verdade sob diferentes ângulos.” – Ghandi.

O termo conflito tem sua raiz etimológica no latim, conflictus, que significa desacordo, choque. O vocábulo, na língua portuguesa, expressa “profunda falta de entendimento entre duas ou mais partes.”

Os conflitos existem desde os primórdios da humanidade e são inerentes ao processo de evolução do ser humano. Portanto, em qualquer área da vida há algum tipo de conflito, que se origina “da diversidade de pontos de vista entre pessoas, da pluralidade de interesses, necessidades e expectativas, das diferentes formas de agir e de pensar de cada um dos envolvidos”.

A partir do momento em que as pessoas começaram a se relacionar, os conflitos também começaram a surgir. O conceito de conflito evoluiu muito com o passar do tempo. No passado, falar de conflito era algo negativo e fonte de muitos problemas. Hoje se busca transformar os conflitos em algo positivo e construtivo.

Lidar com o conflito consiste em trabalhar com grupos e tentar romper alguns estereótipos vigentes na organização. O conflito pode ser gerado a qualquer tempo e momento. Portanto, saber gerenciar um conflito é uma habilidade de suma importância para sobrevivência de qualquer empresa inserida em um ambiente competitivo.

Para lidar com uma situação de conflito e suas causas, o gestor deve se preparar para fazer com que os sistemas organizacionais trabalhem de forma integrada, visando eficiência do processo. A estrutura, o pessoal, o estilo pessoal, o sistema de recompensa e a liderança devem contribuir para que os executivos tenham a possibilidade de perceber as posturas conflitantes, adaptem as pessoas aos processos de cooperação, tomem decisões e atraiam, na cultura organizacional, o senso moral.

Sabe-se que nas organizações os conflitos podem ter tanto caráter positivo quanto negativo. Podem ser classificados como conflitos positivos aqueles que desencadeiam mudanças pessoais, grupais e organizacionais e que impulsionam o crescimento pessoal, a inovação e a produtividade. São considerados negativos, aqueles que não são conduzidos corretamente pelos gestores e interferem na motivação e na satisfação dos empregados.

Assim, o desafio do gestor organizacional não é reduzir ou suprimir conflitos, mas descobrir como lidar com eles construtivamente e manter a equipe unida, focada nos objetivos, sem prejuízo maior às metas e resultados da organização.

Ao avaliar e dimensionar os conflitos de uma organização é necessário reconhecer a existência de diversas forças atuando simultaneamente, dentre elas, a mais significativa, que é a interação entre os indivíduos que a compõem através de seu comportamento. Também deve-se ressaltar que entre os principais papéis do gestor de pessoas, está o da busca por melhores resultados para a empresa, os quais devem ser orientados por propósitos em função das quais suas decisões e atividades deverão ser dirigidas.

Preparação do profissional

Devido a essa demanda, há uma grande importância da preparação do profissional exercendo a função de gerente ou líder direto para atuar no processo de gestão ou administração dos conflitos existentes entre seu próprio pessoal, sem deixar de mencionar, é claro, naqueles externos à organização.

O gestor assume sua função de administrador de conflitos, podendo melhorar as condições para que sua unidade administrativa minimize as situações de competição, atuando com aqueles funcionários que se apresentam em situações de conflito. Com a economia cada vez mais globalizada e competitiva, as organizações cada vez mais dependem de uma boa harmonia em seus ambientes de trabalho.

Estudos demonstram que o conflito toma em média 20% de seu dia de trabalho, ou seja, o conflito faz parte de qualquer organização e qualquer ambiente laboral. Portanto deve ser monitorado e resolvido, para que não tome dimensões ampliadas dentro da organização.

Felizmente, nos últimos anos a mudança de cenário na gestão e nos recursos humanos tem aberto mais espaço para a abordagem de questões como a gestão de conflitos nas organizações. Isso também tem estimulado os gestores e profissionais a buscarem mais conhecimento sobre o assunto e sobre questões comportamentais.

Os conflitos organizacionais podem ser causados por diversos motivos: uma liderança que não está de acordo com as características dos liderados, conflitos entre colegas e ambiente de trabalho hostil, por exemplo. Tudo isso e diversos outros fatores podem gerar conflitos na sua empresa.

Mesmo sabendo que conflitos sempre existem, descobrir sua raiz e enfrentá-lo de maneira direta nem sempre é tão fácil. Na maioria dos casos é mais inteligente fazer uma gestão que já tem como objetivo evitá-los. Assim, você vai prevenir o problema ao invés de ter que lidar com ele.

Quatro perfis comportamentais

De acordo com estudos de diversas áreas de conhecimento relacionadas à gestão, existem cerca de quatro perfis comportamentais diferentes e todos eles podem estar presentes dentro de uma mesma empresa.

Mas é a maneira como eles são geridos que vai direcionar a atuação dos diferentes perfis dentro de cada organização, são eles:

  1. Comunicador; é uma pessoa comunicativa e geralmente dotada de grande carisma e poder de persuasão. Mostra-se sempre entusiasmado com projetos e novidades, tende a ser muito otimista e relaciona-se com facilidade;
  2. Executor; dotado de extrema autoconfiança, esse tipo de profissional é dominante e, em casos extremos, pode ser autoritário e ditatorial. Aceita e se dá bem com desafios e dificuldades, possui senso de competitividade extremo e costuma ser corajoso em suas posturas e ao defender seus pontos de vista;
  3. Planejador: são pessoas estáveis e pacientes, de ritmo constante e alto grau de conservadorismo. Dificilmente entram em pânico, mas têm uma pequena capacidade de improviso;
  4. Analista; detalhista e meticuloso, o analista é organizado, responsável e altamente conservador, sendo hábil ao controlar processos e rotinas repetitivas.

É claro que nem todo mundo é 100% pertencente a um mesmo perfil. Mas basicamente, cada colaborador se identifica em pelo menos um dos comportamentos acima, e o gestor sendo consciente previamente terá elementos básicos para melhor gerir sua equipe frente a qualquer administração de conflitos necessária para liderar sem grandes problemas aquele determinado grupo de colaboradores. A partir disso, ele pode fazer certas adaptações para desenvolver uma gestão mais eficiente na organização.