Os nódulos de tireoide são extremamente frequentes na população e mais ainda conforme o avançar da idade. A maioria desses nódulos são benignos e geralmente não aumentam de tamanho ao longo do tempo. Quando aparecem sintomas compressivos e queixas estéticas, entre outros incômodos, é devido ao crescimento mais acentuado.

Esse importante problema de saúde pública leva dezenas de milhares de pacientes às salas de cirurgia para a remoção da glândula tireoide a cada ano. A tireoidectomia tradicional, apesar de ser bem estabelecida e com taxas de complicações baixas, causa hipotireoidismo quando se realiza a remoção total da glândula. A deficiência do hormônio tireoidiano tem grande repercussão clínica para os pacientes, uma vez que está envolvido com diversas reações metabólicas. O cérebro, o coração e o tecido adiposo são alguns dos órgãos mais afetados pelo hipotireoidismo, que se caracteriza pelo ganho de peso, edema difuso, pensamento mais lento, depressão, diminuição da capacidade de atividade física e aceleração de ateroesclerose.

Tendo em vista o impacto da remoção da glândula tireoide, um novo procedimento minimamente invasivo foi introduzido por médicos sul-coreanos em 2006. A técnica utiliza a energia de radiofrequência com eletrodos resfriados internamente. Essa tecnologia já era utilizada anteriormente para a ablação de tumores sólidos malignos em outros órgãos como o fígado, pulmões, rins e ossos. Em doenças da tireoide já era realizada para o tratamento de linfonodos metastáticos abordados previamente.

A grande inovação dessa técnica é a aplicação da radiofrequência para destruir nódulos tireoidianos benignos, reduzindo seu volume e assim, eliminando os sintomas compressivos e alterações estéticas. O método é realizado guiado por ultrassom, sob anestesia local mais sedação leve por via oral e os pacientes são liberados no mesmo dia. Nos estudos mais recentes, a incidência de complicações é menor do que os procedimentos cirúrgicos convencionais.

Contudo, o maior benefício da ablação dos nódulos tireoidianos através da radiofrequência é a destruição de tecido nodular com a preservação do tecido glandular normal. O tratamento restrito ao nódulo tireoidiano, associado à técnica minimamente invasiva, confere ao método uma característica única que é tratar, mesmo nódulos grandes, sem alterar a função hormonal.

A redução do volume dos nódulos tratados com a ablação por radiofrequência ocorre ao longo de 6 meses, pois não retiramos tecido nodular e contamos com o processo de fagocitose (absorção por glóbulos brancos) para remoção dos tecidos tratados pela radiofrequência. Essa reabsorção gradual do nódulo alcança uma média de 80% até o sexto mês e pode continuar até o primeiro ano após o procedimento.

Apesar da adição da agulha de radiofrequência à lista do material do procedimento, o potencial para diminuição dos custos para o tratamento dos nódulos benignos de tireoide é enorme. A redução da necessidade de auxiliares médicos, o uso de anestesia local e sedação
ao invés de anestesia geral e a possibilidade de não usar equipamentos de selagem de vasos ou monitorização de nervo, permitem que o custo total para a operadora de saúde seja menor.

O uso desta técnica já conta com duas diretrizes sul-coreanas e uma europeia, além de orientações das Sociedades médicas austríacas, italianas e brasileiras. Contudo, ainda não foi incorporada a ablação por radiofrequência no manejo dos nódulos tireoidianos. A conduta
atual acerca dos nódulos benignos da tireoide se resume àqueles diagnosticados com a presença de sintomas compressivos ou estéticos, à indicação de cirurgia convencional ou aguardar até que o paciente decida operar. Com a introdução da ablação, nódulos em crescimento evolutivo podem ser abordados pela radiofrequência antes de se tornarem críticos e com isso, alcançar resultados melhores e mais rápidos.

Finalmente, essa nova ferramenta pode modificar completamente a abordagem dos nódulos tireoidianos benignos. Esse tratamento está abrindo novas áreas de pesquisa em outros cenários de doenças das glândulas tireoide e paratireoides. Nos próximos anos muitas novidades estarão disponíveis e um número ainda maior de pacientes poderá ser beneficiado.