Certamente, você já ouviu frases do tipo: “Ele tem um ego muito elevado”; “ Está agindo motivado apenas pelo ego”. Vamos lá, e o que seria esse tal “Ego”? Quais as influências ele exerce no comportamento humano? Existem vantagens em permitir que ele nos guie ao longo da vida? Sim, se ele for melhor trabalhado e entendido, poderá contribuir com o crescimento pessoal e equilíbrio das pessoas, independente de idade ou genêro.

De acordo com a Psicanálise e com estudos e teorias apresentados por Sigmund Freud, pai desta ciência humana, possuímos três instâncias psíquicas que determinam nossa personalidade e motivam grande parte de nossas ações e sentimentos. São elas: O “ID”; “Ego” e o “Superego”. O “ID” tem relação direta com os desejos, prazeres e instintos primitivos que carregamos no inconsciente. Vontades que não se privam por valores, regras ou pela ética. O “Superego” é aquele que traz a ponderação e uma cautela castradora que nos leva a agir conforme regras de conduta aplicadas pela sociedade e pelas boas práticas de convivência. E por fim, temos o “Ego” que é seu próprio “EU” que luta sucumbido pelos desejos e prazeres instintivos e pela busca interior por equilíbrio, entre o que se deseja fazer ou dizer, e o que na realidade nos é permitido.

No entanto, essa construção do “Eu” não acontece de forma instantânea, ela se dá ao longo dos anos e também sobre influências das bagagens emocionais acumuladas por cada indivíduo e se desenvolve conforme o amadurecimento pessoal. A orientação fornecida pelos pais ou responsáveis, a educação adquirida através dos estudos e as experiências vivenciadas ao longo da vida, se completam e são fatores de bases primordiais na construção do desenvolvimento do Ego, que tem sempre a palavra final e, portanto, pode escolher seguir, esse ou aquele caminho.

Mas a grande verdade é que, popularmente falando, o conceito de Ego para a maioria das pessoas, está muito longe do que foi proposto e definido por Freud. Associa-se a definição de Ego como sendo um tipo de personalidade carregada pelo orgulho, ignorância, egoísmo, prepotência, presunção, individualismo e vaidade. Ao considerar por essa perspectiva, carregada por aspectos negativos, é comum a leitura de uma persona através de julgamentos que destacam comportamentos desfavoráveis e rejeitados no nosso cotidiano.

Imagem: Sigmund Freud (Considerado como pai da psicanálise)

Todavia, é um grande erro de interpretações e, mais que isso, um erro de análise crítica que impede uma melhor avaliação dos poderes e benefícios que um Ego bem trabalhado, pode oferecer ao ser humano. Existem muitas formas e ferramentas capazes de propiciar um desenvolvimento saudável e equilibrado do Ego. Ou seja, é possível trabalhar alternativas que “alimentem” ou “aumentem” o Ego no sentido positivo desta ação.

Uma pessoa com o Ego fortalecido, de maneira correta, é aquela que consegue construir uma maior interação de equilíbrio e controle entre seus desejos instintivos e os limites impostos pelas regras de conduta sociais. Visto tudo isso, deve-se levar em conta que o objetivo será sempre trazer leveza para o dia-a-dia, eliminando as culpas, os medos e as limitações desnecessárias que impedem nossa evolução. Além de fornecer autonomia, autoestima elevada e amor próprio a quem se possibilita essas mudanças.

Porém, essa tarefa não é fácil. Nossos sabotadores internos podem dificultar a busca por esse fortalecimento, pois as recompensas instantâneas promovem uma falsa ilusão de ganho e conforto.

A melhor maneira de desenvolvimento saudável do Ego e crescimento pessoal é investir em terapia para que se consiga mais clareza sobre a atuação da castração aplicada pelo Superego e as investidas das compulsões oriundas do ID, que determinam o comportamento humano.

Quando falamos em “alimentar o ego” deve-se levar em consideração o consumo de “alimentos” saudáveis para a mente. Alimentos estes que são adquiridos através das experiências positivas que influenciam o equilíbrio, como: livros, filmes, viagens, debates construtivos, atividades prazerosas de elevação pessoal e intelectual, entre outros. Ou seja, toda e qualquer ferramenta que agregue valor e venha aguçar sua necessidade de autoconhecimento e crescimento individual. Além disso, não podemos esquecer o respeito aos espaços alheios, a empatia e a conscientização dos nossos limites e dos limites do outro. Desta forma, o que chamamos de “Ego negativo” não encontra campo fértil para se manifestar.

Enfim, exercite seu Ego. Olhe para ele com um novo olhar. Ative seu movimento natural, promovendo o senso de criticidade e responsabilidade afetiva e autocuidado. Essa nova forma de pensar e agir é, extremamente necessária para o desenvolvimento adequado dessa instância psíquica. Não devemos nos contentar com verdades prontas, enraizadas por presunção ou carregadas pelo egoísmo, individualismo, culpa, medo e dores da alma não resolvidas. Portanto, aprenda a trabalhar suas forças e suas fraquezas. Perceba a verdadeira potência de seu EGO, favorecendo assim sua evolução pessoal e um melhor equilíbrio entre seus desejos reais, suas emoções e regras de conduta e sobrevivência, ás quais todos os seres humanos estão sujeitos a obedecer.Use o EGO a seu favor. Aprimore os métodos e não o tenha como um inimigo que deve ser derrotado. Ele é parte intrínseca de nossa condição humana e seu aperfeiçoamento trará muitos benefícios para sua evolução pessoal.