Os riscos desde o princípio da existência desta profissão

As atividades laborativas desenvolvidas pelo estivador remontam à história das grandes navegações e a necessidade do Velho Mundo em estabelecer novas divisas, pautadas pelo avanço das civilizações e a sua crescente demanda de produtos. O surgimento de equipamentos como o astrolábio e a bússola permitiram, por intermédio da navegação marítima, o estabelecimento das grandes rotas de comércio para as Índias e a descoberta e conquista de novos continentes.

Com o advento do Capitalismo e a necessidade do escoamento das mercadorias cada vez mais produtivo, estabeleceu-se a adaptação e o aprimoramento de trabalhadores da beira do cais para as atividades de carregamento e descarregamento de embarcações. No caso brasileiro, muitos deles eram negros que, com a abolição da escravatura, se fixaram nos grandes centros portuários em busca de uma vida mais digna e trabalho.

A atividade de estiva sempre foi uma tarefa árdua, desde os tempos remotos. As cargas eram transportadas em sacas e, até o advento de máquinas como empilhadeiras e guindastes, todo o trabalho era desenvolvido em sua força bruta. O grande exemplo que temos são as pinturas a óleo e fotografias em preto e branco nos sindicatos seculares e Companhias Docas espalhados pelo país apresentando estivadores carregando 3, 4 ou até 5 sacos de café de 80 Kg cada sobre suas cabeças, enfileirados sobre pranchas entre o cais, passando pelo convés, até as cavernas dos porões.

Com a modernização dos portos, a mecanização e a conteinerização, as atividades que antes demandavam um grande número de trabalhadores, deram lugar à redução das equipes de trabalho, passando a exigir dos trabalhadores mais competências relacionadas ao manuseio de máquinas e equipamentos, bem como um alto grau de esforço físico dos trabalhadores que executam os serviços braçais a bordo. Este modelo, vivenciado desde os anos 90, resultou numa alta taxa de produtividade alcançada pelos terminais portuários brasileiros, referência em todo o mundo.

Neste contexto se insere a atividade laborativa do estivador de hoje. Trabalhando em navios cada vez maiores e projetados para atender a maior capacidade de carga útil possível. Seguindo a máxima do “Time is Money”, outra frase bem conhecida no meio é:

“Navio ganha dinheiro navegando”. O tempo gasto em excesso para a execução das atividades no porto, neste caso, é um mal a ser batido. É por aí que passam os problemas relativos à saúde e segurança.