Levantamento feito pelo Observatório Digital de Segurança e Saúde do Trabalho, instituição ligada ao Ministério Público do Trabalho, dá conta de que a cada 3 horas e 40 minutos, um trabalhador morre no Brasil, vítima por acidente de trabalho.

No período de 2012 a 2018 foram registradas 17.200 mortes por acidente ou doença relacionada à atividade profissional, aponta o levantamento. Quando se compara as ocorrências de mortes, vê-se que foram 2.659 registros em 2014; 2.388 em 2015; 2.156 em 2016; 1.992 em 2017; e 2.022 em 2018.

2018 registrou o primeiro crescimento em cinco anos. A última vez que o Brasil havia registrado crescimento de mortes foi entre 2012 e 2013, quando o número saltou de 2.561 para 2.675.

 

Custos com afastamentos foram de R$ 732 milhões para a Previdência Social

Na visão de profissionais que atuam na área de segurança no trabalho, a reforma trabalhista, que flexibilizou as normas de segurança, é um dos motivos de o país ter voltado a apresentar crescimento no número de acidentes. Especialistas chamam a atenção ainda para o fato de que os números divulgados dizem respeito aos empregos formais – a estimativa é de que mais de um terço dos empregados no Brasil não têm carteira assinada e, portanto, não entram nas estatísticas oficiais, nem mesmo quando são vítimas fatais de acidentes de trabalho.

De acordo com o Observatório, a cada 49 segundos ocorre um acidente de trabalho no Brasil. Foram 4,7 milhões de acidentes de 2012 a 2018. Os setores com maior incidência de acidentes no período foram atendimento hospitalar, com 378.000 ocorrências, comércio varejista, especialmente supermercados, com 142.000 registros, administração pública, com 119.000, construção de edifícios, com 106.000 casos e transporte de cargas, com 100 mil.

Quando se analisa os acidentes de trabalho por regiões, o Estado de São Paulo, por ser o mais populoso do país, é também onde ocorre o maior número de acidentes – total de 1,3 milhão no período, seguido por Minas Gerais, com 353.000, Rio Grande do Sul, com 278.000, Rio de Janeiro, com 271.000, Paraná, com 269.000 e Santa Catarina – 185.000.

As máquinas e os equipamentos foram os principais agentes causadores de acidentes, provocando 528.473 registros notificados no período – foram 2.058 mortes e 25.790 amputações ou enucleações.

Na análise dos reflexos destes acidentes no dia a dia das empresas, os números são alarmantes. O Ministério Público do Trabalho afirma que o Brasil perdeu 14 milhões de dias de trabalho no período, por conta de afastamentos. Os custos destes afastamentos para a Previdência Social foram R$ 732 milhões.

O organizador da Expo Proteção e Expo Emergência, Alexandre Gusmão, que tem mais de vinte anos de experiência na área, afirma que “a situação que vivemos hoje, com o crescimento do número de acidentes de trabalho, com certeza é resultado da precarização do trabalho, provocada pela crise vivenciada nas empresas, que deixam de investir em prevenção e descuidam da saúde dos trabalhadores, e não apenas um reflexo da reforma trabalhista”. Gusmão lembra que “aliado à mudança nas regras, temos também a crise econômica que vive o país”.