De acordo com a Norma Regu lamentadora 7 (NR7) compete ao empregador a elaboração e implementação do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e a nomeação de um Médico Coordenador que seja responsável por sua execução. Este programa deve ter caráter preventivo, rastreio e diagnóstico precoce dos possíveis agravos à saúde relacionados ao trabalho.

Uma das ações previstas na NR7 é a realização obrigatória de exames clínicos e complementares periodicamente, caso sejam necessários, para monitoramento da saúde dos trabalhadores. Nestas ocasiões, os funcionários são avaliados clinicamente e seus exames complementares verificados.

Os exames complementares monitoram os possíveis efeitos da exposição aos riscos presentes nos ambientes de trabalho e doenças que possam representar risco no exercício de uma determinada atividade.

Para que o PCMSO possua verdadeiro caráter preventivo e de promoção da saúde, os exames ocupacionais devem ir além do cumprimento da legislação vigente. Esta é uma ótima oportunidade para que o médico encarregado além de avaliar a condição de saúde momentânea do trabalhador, o avalie integralmente, considerando os aspectos sociais e o meio em que este trabalhador está inserido, focando em ações educativas.

O médico responsável pelo exame deve aproveitar a ocasião para orientar o empregado em relação a importância do controle de riscos, realizado através de medidas coletivas, administrativas e do uso adequado dos equipamentos de proteção individual (EPI). Deve orientar o empregado sobre cuidados com a saúde, mostrando o quanto a prevenção e o controle das doenças crônicas são importantes, antes que gerem complicações que possam ser irreversíveis e até mesmo incapacitantes.

O trabalhador deve ser incentivado a sempre buscar pelo médico da empresa no caso de qualquer queixa relacionada à sua saúde, ou caso verifique que a sua atividade laborativa possa estar relacionada ao seu adoecimento e de seus colegas.

Em contrapartida, o médico do trabalho deve sempre utilizar as informações obtidas nos exames ocupacionais para identificar possíveis causas de adoecimento cuja origem é o ambiente de trabalho, a organização corporativa ou o gestor direto do trabalhador. As áreas administrativas e de segurança do trabalho devem ser comunicadas sobre possíveis causas de adoecimento na empresa para que as devidas ações sejam implementadas, sem nunca quebrar o sigilo médico nem infringir a ética.

As diversas áreas da empresa devem agir em conjunto na identificação de riscos e fatores organizacionais que possam causar o adoecimento de seus empregados e trabalhar de maneira multidisciplinar na implementação de ações de controle da exposição, prevenção do adoecimento e de agravos à saúde.

O PCMSO só poderá ser um verdadeiro instrumento de promoção da saúde e prevenção de doenças, conforme preconizado pela NR 7, se houver gestão integrada da saúde e da segurança dos trabalhadores.