A quantidade de água e eletrólitos de nosso sangue tem direta influência no funcionamento saudável de nosso coração. Dessa forma, em situações de hemorragia e profusa desidratação, nas quais ocorre perda significativa deste conteúdo hídrico e eletrolítico, podem ocorrer alterações cardiovasculares como arritmias e até uma parada cardiorrespiratória.

Na época do verão, quando as temperaturas atingem níveis acima de 35 graus Celsius, o equilíbrio térmico do corpo humano depende essencialmente de dois fatores fisiológicos – reposição volêmica por meio de continua hidratação e períodos de aumento da transpiração.

Em países de clima tropical como o Brasil, nota-se que a temperatura pode atingir níveis acima de 40 graus Celsius, sobretudo em cidades praianas do sudeste e nordeste. Neste contexto de temperaturas criticamente mais elevadas, soma-se às variações de conteúdo hidroeletrolítico, a eventual ocorrência de um perigoso fenômeno bioquímico chamado desnaturação proteica.

Todos os órgãos e estruturas do corpo humano, e dessa forma, o coração se inclui de forma destacada, são constituídos de substratos proteicos, os quais formam um arcabouço de sustentação e também desempenham papel primordial para as reações químicas que se processam no circuito metabólico de cada órgão. Logo, o fenômeno de desnaturação proteica, que pode ser desencadeado pelas elevadas temperaturas, consiste num desarranjo estrutural e funcional dos referidos substratos, impactando, sobremaneira, na manutenção da saúde dos órgãos.

Diante da ocorrência de uma desidratação severa, sem a devida reposição, além do risco de desnaturação proteica, o coração humano pode, agudamente, apresentar graves modificações, começando por arritmias e culminando com a parada cardíaca e morte.

De certa forma conhecemos como se comporta o verão no Brasil, quais são os meses mais críticos e as cidades mais quentes, o que permite elaborar uma estratégia preventiva para minimizar estes efeitos deletérios do calor excessivo.

As principais medidas para prevenir complicações cardiovasculares decorrentes do calor excessivo são:

– ingestão de no mínimo 2-3 litros de água ao dia;

– usar roupas leves e de cor clara no dia a dia, principalmente para atividades esportivas;

– utilizar bebidas isotônicas para complementar a reposição eletrolítica;

– pessoas que transpiram em excesso (como indivíduos com hiperidrose) devem repor as perdas em quantidades proporcionais e muitas vezes até maiores do que a média;

– reduzir o consumo de produtos ricos em cafeína ou qualquer estimulante metabólico;

– praticar atividades ao ar livre em horários de sol não escaldante – entre 8-10h e após 17h;

As complicações cardiovasculares podem incluir infarto do miocárdio e derrame cerebral e, sendo assim, consultas periódicas e preventivas com um cardiologista são fundamentais para orientar quais atividades físicas, em qual ritmo e intensidade e com qual frequência as mesmas podem ser realizadas nos meses de verão e, sobretudo, naquelas cidades de temperaturas mais criticamente elevadas.