OmniLAMP é o nome do dispositivo portátil que pode diagnosticar a covid19 ao detectar o material genético do coronavírus.

O dispositivo foi desenvolvido pelas renomadas instituições de pesquisa em tecnologia para a saúde – Fiocruz e Visuri.

O material genético coletado para detecção do vírus é nasal ou orofaríngeo, por meio de swabs, ‘esfregões’ tipo cotonetes.

Trata-se de uma testagem segura, semelhante à de PCR (reação em cadeia da polimerase), através da técnica RT-LAMP – que transforma o RNA em DNA, porém com menor tempo e custo.

A detecção do RNA viral se dá por meio da amplificação isotérmica do material genético do vírus encontrado nas amostras de swab, e o resultado, cujo sistema possui georreferenciamento e conexão com a internet permitindo acompanhamento remoto é automaticamente interpretado por software do equipamento.

Um aplicativo em celular revela o resultado, obtido em 30 minutos, diminuindo em muitas horas os resultados realizados pelos testes anteriores que exigem pre-processamento de amostras.

Outra vantagem do OmniLAMP é o fato de poder ser operado em laboratórios de baixa complexidade estrutural, e ainda, o uso de reagentes diferentes dos usados no PCR – o que, segundo Rubens do Monte, pesquisador da Fiocruz-Minas, permite descentralizar os testes, que poderão ser realizados em hospitais, clinicas e laboratórios menores.

Além disso, por ser uma ferramenta PoC (Point of Care), pode ser operado por pessoal pouco treinado, podendo ser enviado a quem necessita.

Mostrando-se altamente confiável, teve sensibilidade de 97% nos resultados dos primeiros testes do ensaio clinico e de 100% na especificidade.

Henrique Martins, CEO da Visuri, empresa parceira da Fiocruz no desenvolvimento do dispositivo, destacou ainda que através da tecnologia IoT (Internet of Things), os resultados podem ser armazenados em nuvem e o acompanhamento de relatórios em tempo real, como curvas e tendências, auxiliando órgãos do governo como ferramenta de auxilio em estratégias de combate à pandemia da covid19.

O virologista e pesquisador da Fiocruz-Minas Pedro Augusto Alves, explica como ferramentas de diagnósticos usadas em pequenos municípios podem orientar mais efetivamente o controle epidemiológico local e regional.

Como exemplo, os arbovírus, de difícil identificação, tem somente diagnóstico clínico; nesse caso, teria uma identificação precisa  entre os diferentes sintomas da dengue e zika.

“A realização de um teste seguro e com agilidade é fundamental para definir o tipo de tratamento adequado, ainda no momento de sintomas do paciente, o que permite um melhor direcionamento da terapêutica e evita gastos com tratamentos desnecessários”, conclui.

O dispositivo computacional portátil e os kits de teste estão em fase final de certificação na Anvisa. Ainda em discussão está a questão de que, se obtido o registro, os kits de testes serão produzidos pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), uma das unidades fabris da Fundação no Rio de Janeiro. O dispositivo portátil será produzido pela Visuri, em Minas Gerais.

Além de menor custo e facilidade na realização do teste, comparado a outros dispositivos para diagnóstico molecular, o OmniLAMP é também uma tecnologia adequada para ser viabilizada em municípios, empresas e ambientes de grande necessidade de testagens em massa como aeroportos, pela facilidade em relação à logística e pela usabilidade, segundo Henrique Martins.