O compartilhamento de informações entre os países se ampliou de forma rápida e eficiente a partir dos diferentes processos de globalização instaurados no mundo. E foi o advento da internet aquele que mais acelerou a expansão comercial e política mundial, bem como a partilha de costumes, crenças, músicas, culturas e termos linguísticos utilizados em diferentes territórios.

Neste sentido, os Estados Unidos sempre exerceram grande influência no território brasileiro, principalmente em relação à incorporação de termos linguísticos. Podemos citar muitas palavras oriundas do inglês e utilizadas no meio corporativo nacional, mas a expressão que vem se destacando agora é compliance.

O termo nada mais é do que uma forma de nominar um programa que auxilia as empresas a estarem em conformidade com as leis e normas de uma determinada corporação. Por meio do compliance as empresas são instigadas a atuarem de forma preventiva, com o intuito de ajustarem e corrigirem condutas inerentes do sistema corporativo que, futuramente, possam prejudicar a empresa. Sendo assim, muitas organizações vêm adotando essa ação com o intuito de evitar casos de corrupção, lavagem de dinheiro, obrigações trabalhistas, fiscais, regulatórias, concorrenciais, entre outras regras que podem estar atreladas a projetos, dependendo do segmento de cada corporação.

Com a grande aderência do mundo corporativo privado ao compliance, a ideia também tem sido adotada por setores da administração pública. O objetivo é garantir a transparência, o respeito às normas e também a possibilidade de melhorias nos serviços públicos ofertados à população. Além disso, no setor público, a principal finalidade do compliance é expandir canais de denúncia que apontem irregularidades existentes no sistema e contribuam para o controle da corrupção.

De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), o Brasil foi um dos países que registrou grande percepção de corrupção em 2020. Nos levantamentos realizados em anos anteriores pelo mesmo órgão o resultado não foi diferente, o país tem se destacado com péssimos índices. Então a instalação de um programa de compliance nos órgãos públicos exige um quadro de profissionais que precisam estar comprometidos com as regras desenvolvidas para que o propósito se torne efetivo. Além de outras práticas que envolvem a correta prestação de serviços públicos à comunidade, a execução do compliance é uma forma a mais de a população estar atenta à qualidade na administração e no atendimento.

Tendo em vista a importância da aplicação do compliance nas repartições públicas, vale também voltar a atenção para prefeituras, governos e comunidades locais observando de que forma são entregues os serviços relacionados a esses órgãos. Uma vez que essas prestações públicas precisam ser realizadas de forma transparente e eficaz, a população tem o direito de se manifestar e exigir que seus direitos sejam garantidos. Sendo assim, espera-se que com a implementação do compliance no setor público a quantidade de irregularidades que vêm ocorrendo nos departamentos governamentais do Brasil, bem como aquele índice incômodo de percepção de corrupção dos últimos anos, seja reduzida.