Que toda grande crise traz oportunidades é um fato inquestionável, mas talvez a crise de saúde atual traga mudanças sem precedentes na educação, no trabalho e principalmente na saúde.

O CFM – Conselho Federal de Medicina,  levou 18 anos discutindo telemedicina sem chegar a uma regulamentação – e tudo isso foi atropelado em 40 dias pelo COVID 19: em pouco mais de um mês, duas portarias do Ministério da Saúde e posteriormente uma Lei (a 13.989 de abril de 2020) tornou e regulamentou a telessaúde (não só para medicina mas para todos os profissionais de saúde, como nutricionistas, psicólogos entre outros) e enquanto perdurar a crise de saúde no Brasil.

Essa urgência e velocidade em viabilizar a telessaúde gerou uma corrida para uso de ferramentas de comunicação online para atender os pacientes, tirar dúvidas, identificar risco de sintomas de COVID 19 – a corrida se estendeu também no segmento de certificação digital uma vez que se tornou necessário assinar digitalmente documentos na parte de saúde (como atestados, pedidos de exames e receitas médicas de forma que tivessem validade jurídica).

Não há dúvidas que a telessaúde chegou de urgência e veio para ficar. Nos EUA antes do COVID apenas de 11% da população já havia feito algum tipo de atendimento em saúde à distância (apesar de lá, ao contrário daqui a telessaúde já estar regulamentada há bem mais tempo) tendo pulado para mais de 46% no início da pandemia. Estima-se que lá o COVID 19 levou o serviço de telessaúde a um negócio com projeção de 3 bilhões de dólares por ano.

No Brasil, claramente podemos ver que a telessaúde pode melhorar a abrangência do atendimento no SUS, chegar a populações nesse país continental que ainda não tem atendimento básico de saúde adequado. Nas grandes cidades, com trânsito sempre caótico, imaginar que você não precisa mais perder uma manhã ou tarde de trabalho para ir à consulta médica, levar o resultado dos seus exames isso é definitivamente uma enorme vantagem – tanto para pacientes, como para médicos, podendo aumentar a quantidade de indivíduos que possa atender.

Esse futuro da saúde, acelerado pelo COVID 19, ainda pode trazer muito mais e rápido: sistemas de inteligência artificial que podem fazer triagem de pacientes, identificar interações de medicamentos trazendo mais segurança no uso de medicamentos, gadgets que permitem monitorar seus sinais vitais, que permitam realizar em casa exames laboratoriais, de urina e até mesmo um eletrocardiograma no celular que envie direto para seu cardiologista. É o futuro sistema de saúde.