Quão satisfeito você está com seu trabalho? É da natureza humana sentir insatisfação com escolhas que fazemos, decisões que tomamos, produtos que compramos, serviços que contratamos e relacionamentos que iniciamos. Estes são alguns exemplos das insatisfações que temos em muitos compromissos que assumimos em nossas vidas e que, por algum motivo, não temos condições de darmos continuidade e acabamos por declinar das nossas decisões tomadas.

Contudo, com relação ao nosso trabalho e carreira, nem sempre conseguimos declinar rapidamente e, se não percebermos a tempo nossa insatisfação poderemos levar uma vida inteira para tomarmos uma decisão e mudar o rumo dos acontecimentos. Por mais que tenhamos escolhido a “profissão dos nossos sonhos”, sempre chega o momento em que nos perguntamos se realmente estamos satisfeitos com o que fazemos do nosso tempo e, especialmente, no que diz respeito ao trabalho.

Por que isso acontece? Porque somos, essencialmente, motivados por satisfazer nossas necessidades, pela busca de prazer e de nos sentirmos realizados, queremos “estar bem”, ou seja, priorizamos nosso bem-estar.

Mas, afinal de contas, o que é bem-estar e como este construto se ajusta ao trabalho? Vale ressaltar que o conceito do bem-estar teve sua origem associada ao “welfare” (bem-estar material) dos estudos da economia, mas a partir da década de 1950 passou a ser estudado como bem-estar subjetivo pela Psicologia que estava interessada em estudar a satisfação geral com a vida.

No que se refere à Psicologia Positiva, o estudo do bem-estar contemplou mais 3 áreas ao bem-estar subjetivo: o bem-estar psicológico, o bem-estar social e o bem-estar no trabalho. Com relação ao bem-estar psicológico, destaca-se o desenvolvimento das potencialidades humanas visando a autorrealização. O bem-estar social considera a satisfação de uma pessoa com relação às suas interações com a sociedade. O bem-estar no trabalho considera, por conseguinte, a satisfação que o ser humano nutre ao estabelecer vínculos com o trabalho.

O fato é que passamos cerca de um terço da nossa vida trabalhando e, existem muitas situações que acabam por tomar todo nosso tempo, fazendo com que nos conformemos, como por exemplo, rotinas, relatórios, metas e até relacionamentos afetivos que estabelecemos ao longo de nossa jornada de trabalho. Quando pensamos em quão satisfeitos estamos com nosso trabalho, estamos pensando no bem-estar, no “sentir-se bem trabalhando” e na qualidade de vida que o trabalho pode nos proporcionar. Bem-estar e qualidade de vida são, portanto, diferentes constructos que se complementam, pois enquanto o bem-estar está direcionado ao que “sentimos sobre o trabalho”, qualidade de vida refere-se às questões objetivas que envolvem a satisfação dos seres humanos com relação ao trabalho e, portanto, cabe a pergunta “quão satisfeito você está com seu trabalho”?

Não há como negar, as pessoas passam a maior parte de seu tempo trabalhando, em média doze horas diárias no seu local de trabalho, então, por que não as incentivar para dedicarem o máximo de si fazendo algo que se sintam motivadas e reconhecidas por isso? Este é o maior investimento que as organizações podem fazer pelas suas pessoas: cuidar para que seus funcionários se sintam bem dentro de seus ambientes de trabalho e, com isso, trabalhem melhor.

Por outro lado, as pessoas dentro das organizações também precisam fazer sua parte, pois não há bem-estar no trabalho que se sustente sem o compromisso afetivo por parte dos funcionários de uma organização. Para que isso ocorra, os funcionários precisam se comunicar mais efetivamente com seus superiores, procurando expressar sinceramente suas opiniões, visando com isso minimizar as falhas e melhorar continuamente, enfim, dando o melhor de si para que o trabalho seja realizado da melhor forma possível, tanto nas relações quanto nos resultados. Essa responsabilidade compartilhada entre pessoas e organizações é muito efetiva para o aumento do bem-estar coletivo no ambiente de trabalho, para a construção de um clima organizacional positivo e, especialmente, para o estabelecimento da QVT – Qualidade de Vida no Trabalho, termo que vem sendo amplamente valorizado nas organizações de ponta em todo o mundo.

Não há como enquadrar QVT – Qualidade de Vida no Trabalho – em uma única definição, pois existem várias perspectivas a serem analisadas sobre este constructo que engloba desde a satisfação laboral quanto os fatores que visam refletir a satisfação com a vida e os sentimentos de bem-estar no trabalho. Recorrente em estudos da POT- Psicologia Organizacional e do Trabalho – os estudos da QVT buscam mensurar a qualidade de vida de um profissional em uma organização e não apenas está ligada com o bem-estar dos funcionários, mas também com os resultados das organizações, pois quando o trabalho é estável, a produtividade tende a aumentar.

Importante ressaltar que todo e qualquer sucesso de uma organização está intrinsecamente atrelado ao fator humano: não há como obter resultados se não houver engajamento dos funcionários com os objetivos organizacionais estabelecidos. Se todo ser humano busca satisfação de suas necessidades para atingir sua auto realização – de acordo com a teoria das necessidades humanas de Maslow – condições de trabalho decente, compensação justa e clima organizacional positivo são alguns fatores importantes para maximizar a QVT por parte das organizações.

Como já dito anteriormente, QVT conduz à satisfação no trabalho, pois refere-se ao impacto do trabalho na satisfação com a vida profissional, vida pessoal e vida como um todo. Portanto, aqui estão alguns fatores que contribuem para melhorar a qualidade de vida no trabalho de forma holística:

1. Condições seguras e saudáveis

2. Integração, Respeito e Autonomia

3. Recompensa justa e adequada

4. Desenvolvimento profissional e perspectivas de carreira

5. Integração social e clima organizacional positivo

6. Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal

QVT, portanto, refere-se à preocupação constante com o bem-estar, à saúde e segurança psicológica dos trabalhadores no desempenho de suas tarefas por parte das organizações e o conceito, na atualidade, compreende tanto os aspectos físicos (contexto e recursos) quanto os aspectos psicológicos (saúde e bem-estar) do trabalho. Organizações saudáveis têm realizado esforços para aumentar sua valorização organizacional com ações estratégicas que visam melhorar bem-estar, saúde e segurança psicológica de seus funcionários, privilegiando a valorização pela vida individual e coletiva.