No decorrer da História, as mulheres sempre necessitaram lutar para fazerem valer os seus direitos. No entanto a participação da mulher ainda é vista de forma secundária e  há grandes desigualdades nas condições de trabalho entre homens e mulheres, principalmente no que se refere à valorização profissional.

No Brasil, houve participação laboral das mulheres a partir do começo do processo de industrialização, embora ocorresse somente enfoque voltado para obtenção de rendimento complementar, visando sustento familiar. Mulheres desempenhavam funções com baixa qualificação e diminuta remuneração.

O trabalho feminino comumente procede em tempo parcial, advindo das atribuições domésticas e de dedicação para com a família e os filhos que não cessam, muitas vezes, ocorre abandono das atividades laborais para suprimento das atividades do lar. Em contrapartida, existem situações em que devido à ocorrência de problemas financeiros, acaba havendo dupla jornada de trabalho pelas mulheres, que atuam em tempo integral em seus trabalhos e ainda cuidam dos lares.

No cômputo geral, observa-se uma crescente inserção feminina no contexto trabalhista, abrangendo inclusive o mercado formal, mesmo com as crises econômicas que o país tem vivenciado.

O objetivo do presente artigo foi averiguar o papel desempenhado pelas mulheres nas atividades laborais ao longo do tempo e verificar como ocorre normalmente a performance apresentada pela saúde da mulher no trabalho.

 

Gênero

No mercado de trabalho brasileiro a predominância das mulheres foi sendo alterada e mulheres passaram a participar junto com os homens em várias atividades laborais. Esse novo comportamento foi oriundo de necessidades econômicas e de oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho.

O papel do trabalho feminino sofreu adaptações à conjuntura existente e passou-se a conviver com mulheres chefes de família, ocorrendo aumento proporcional desse perfil laboral com o passar dos anos.

Nesse sentido, evidenciou-se transformações de enfoque social, político, cultural e econômico no universo feminino com mulheres trabalhando em diversos setores. Sabe-se que a participação das mulheres no mercado trabalhista formal e informal tende a apresentar crescimento continuado. Verificou-se diferentemente que mulheres passaram a buscar determinada meta trabalhista, visando obter melhores salários, conforto e uma vida profissional bem sucedida.

 

Saúde da Mulher no Trabalho

A saúde reprodutiva, envolvendo a mulher nas atribuições de dona de casa e de mãe foi considerada por longo período como sendo a única determinante vital na elaboração do conceito de saúde da mulher.

No contexto da reestruturação produtiva existem desigualdades entre trabalhadores do sexo masculino e feminino, devendo haver adoção de medidas que sejam capazes de suprir deficiências presentes. Mulheres detêm inúmeras obrigações, uma vez que são as responsáveis pela organização das tarefas domésticas sem remuneração, cuidam das crianças e da família e ao mesmo tempo trabalham fora em amplas jornadas. Existe sobrecarga de trabalho e incompatibilidade de tempo para vivenciar atividades de trabalho e da vida privada.  Essas desigualdades e discriminações no ambiente de trabalho e doméstico ocasionam repercussões na saúde e segurança dessas mulheres.

O excesso de obrigações laborais faz com que as mulheres acabem deixando de lado o zelo para com os seus cuidados pessoais, como a prática cotidiana de exercícios físicos, e os momentos dedicados ao lazer, estes que são essenciais para o seu bem estar pessoal. Parte do tempo deve ser dedicado ao desempenho de atividades consideradas saudáveis pelas mulheres, devendo haver enfoque preventivo. As doenças relacionadas ao trabalho que comumente ocorrem em mulheres são: depressão, ansiedade, problemas psicológicos, estresse, enxaqueca, endometriose, fadiga, problemas cardíacos, lesões por esforços repetitivos (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), entre outras.

Outros problemas bastante graves relacionados à saúde das mulheres que tem implicações com atividades de trabalho, referem-se às fases de gestação e amamentação que podem estar presentes na vida das mulheres.

 

Qualidade de Vida no Trabalho

A cessação das manifestações de desigualdade propicia benefícios a saúde da mulher, incrementando sua qualidade de vida, a do seu marido e a dos seus filhos.

As mulheres vêm exercendo uma importante participação no crescimento econômico, pois sua presença vem se estendendo a vários postos de trabalho, e como tal, devem ser reconhecidas, tendo suas necessidades atendidas dentro do âmbito organizacional. Assim, em relação às condições do trabalho feminino, temos a discussão acerca da qualidade de vida no trabalho (QVT), que tem uma grande importância, uma vez que se refere à realização das necessidades das pessoas dentro das organizações, conduzindo aos desfechos organizacionais planejados.

A adequada Qualidade de Vida no Trabalho Feminino (QVTF), se observada devidamente, produz satisfação e motivação para que as trabalhadoras possam desempenhar sua participação nas organizações de maneira compensatória, tanto para elas, como para a empresa.

A QVT precisa ser medida e melhorada devido ao fato de que o trabalho representa uma atividade integrante da vida de todos os trabalhadores e trabalhadoras, já que pelos menos 08 horas por dia são dedicadas à atividade laboral, durante grande parte da vida das pessoas e no caso das mulheres ainda existe a extensão da jornada de trabalho, devido ao trabalho doméstico, que não é considerado como tal e não é remunerado. É importante incorporar às organizações o desejo de produzir, não apenas por produzir, mas para que haja satisfação coletiva, em todos os setores da empresa.

Mas, mesmo constatando que a QVT interfere no nível de comprometimento das pessoas que compõem as organizações, na maioria das empresas quando fazemos uma sondagem mais de perto dentro do ambiente organizacional, principalmente das micro e pequenas empresas, percebemos que a preocupação e a atenção com os fatores humanos ainda são encarados como custos desnecessários e não como investimento e tratando-se da QVTF, a atenção é bem menor, haja vista que o trabalho feminino, desde o início com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, é cercado de interesses capitalistas e baixas condições de desenvolvimento e de bem estar da classe de operárias femininas.

 

Discussão

As mulheres representam grande parcela da população economicamente ativa no nosso país e já são mais escolarizadas que o sexo oposto. Apesar disso, persistem desigualdades no rendimento por hora trabalhada e tais desigualdades, justamente tem maior disparidade nas faixas superiores de escolaridade.

As chamadas “chefes de família”, nome dado às mulheres mantenedoras do lar, é crescente no Brasil, configurando-as como as principais provedoras da renda familiar.

A questão dos custos do trabalho tem papel fundamental na análise do comportamento empresarial relativo à contratação de mão de obra e às condições nas quais esta se realiza. O custo supostamente mais elevado associado ao trabalho feminino, também justificaria a desigualdade recorrente das remunerações das mulheres em comparação com os homens. É ideia recorrente que menores salários para mulheres não se devam a qualquer tipo de discriminação, mas estariam relacionados à necessidade das empresas de compensar esse custo supostamente maior de contratação, decorrente das normas especiais que protegem o trabalho feminino, especialmente em decorrência da maternidade e dos transtornos causados pelas responsabilidades familiares femininas.

 

Conclusões

O perfil apresentado pelas atividades laborais femininas sofreu modificações, com o empenho, esforço e a qualificação realizada pelas mulheres, que passaram a ocupar cargos de liderança laboral.

Uma abordagem preventiva com realização de diagnóstico médico precoce é fundamental para evidenciação de possíveis doenças ocupacionais nas mulheres trabalhadoras e para que não ocorra agravantes.