Desejo: na concepção dinâmica freudiana, um dos polos do conflito defensivo. O desejo inconsciente tende a realizar-se restabelecendo, segundo as leis do processo primário, os sinais ligados às primeiras vivências de satisfação. A psicanálise mostrou, no modelo do sonho, como o desejo se encontra nos sintomas sob a forma de compromisso. In: Vocabulário de Psicanálise, Laplanche e Pontalis

Em dias atuais, principalmente os atualíssimos, vivemos um desconforto físico e mental que beira o inominável, o sem palavras.

A tristeza percorre o sangue corporal como ar praiano e nos sentimos encurralados por liberdade e libertação.

Para onde vão nossos desejos quando nele não pensamos? O que queremos das nossas pulsões e quais investimentos têm sido realizados para que eles ocorram, e a que preço?

Vivemos com sintomas melancólicos de abandono por todos. Estamos abandonados pelo amigo, pelo amor, pela família, pela pátria.

A sensação que nos toma é que nos esgueiramos pelos espaços sem saber por onde ir, com mãos atadas, longe do toque, longe do tatear muros para localizar onde estamos.

A instabilidade vivida nos relacionamentos, no que se pensa de si, nos afetos deslocados, nos impõe uma grave voz, que sai da garganta aos tropeços, boneco que não somos, e brigamos, guerreamos com a própria natureza à nossa volta.

Nos debatemos o tempo todo, com soluções fantasmáticas que nos protegem, ao menos por segundos, dos possíveis ataques exteriores.

Para que a depressão não se instaure, como meio profilático, tentemos respirar melhor, ver melhor, ver o que importa, não ver o que sempre foi visto. Precisamos nos adaptar a sermos, ou nos posicionarmos diferentemente do que sempre fazíamos.

Em dias atuais precisamos nos atualizar. A tristeza chega em detrimento ao nosso desejo e por vezes não raras, se instaura, toma corpo e vira depressão.

Enxergar o outro como capaz, igual, potente e desejante como a si mesmo, é inegavelmente gatilho certeiro para lidar com as mazelas da tristeza, da angústia e da depressão.

Escada que nos possibilita subir para nos distanciarmos da pulsão de morte. Quando queremos que uma situação, episódio, acontecimento morra, é diferente de queremos morrer. Estamos falando de uma luta, quase corporal, para nos livrarmos de algo que nos incomoda, não da nossa própria vida.

O luto de uma situação inadequada, constrangedora, inapropriada, indesejada será feito de uma forma bastante frutífera, que a tendência é não pensarmos mais em nossa morte. Pensaremos nas mortes das situações indesejáveis.

Temos de ter coragem para assumir nosso desejo com ameaças que sempre estão à mostra.

É importante lembrar dois pontos: cada um na sua idiossincrasia sente a tristeza de forma única. Alguns deslocam para a arte, que é um escape perfeito ao ego, outros guardam para mais tarde produzirem algo para si e para os outros. Interessante e bom notar, como lidamos com nossas tristezas e angústias para vivermos melhor com elas, pois todos temos. Outro ponto a ser pensado é que o isolamento social deverá assumir um papel de protagonismo em nossas relações. Acostumar-se com o estar, por vezes, só, deverá ser um ganho na maior parte do tempo.

Entender que o desamparo, presente em todo discurso humano, estará em nosso imaginário e no real o tempo todo, pois sempre estaremos angustiados precisando de algo. Aprendamos a lidar com o desejo e que a angústia seja constitutiva e não desmotivante.