Provavelmente você leu aquele artigo divulgado pelo The New York Times, em 2012, contando o mecanismo de ação de marketing de uma varejista norte-americana, Target, que conseguiu resultados financeiros impressionantes, porém, utilizando de estratégias abusivas quanto à privacidade dos dados pessoais na internet.

Pois bem, a Target, empresa de varejo, é um case sempre comentado em várias frentes de negócios, e-commerce, varejo e, lógico, estratégias de marketing e vendas.

O caso que na época espantou o mundo, mas logo caiu no esquecimento, teve uma grande massa de dados recolhidos, analisados e identificados, mostrando detalhes da intimidade de uma adolescente.

Essa história é antiguinha, sim, mas ela mostra porque a discussão de proteção de dados é importante, e como o respeito à individualidade dos clientes é parte do BRANDING. No caso fatídico, o pai da adolescente chega numa loja da Target, nos EUA, enfurecido porque sua filha adolescente tinha recebido e-mail marketing com sugestões para grávidas.

O gerente, até então, sem entender, super constrangido, pediu desculpas e prometeu que investigariam o ocorrido.

Alguns dias mais tarde, ao ligar para pedir desculpas novamente, o gerente foi surpreendido pelo pai da adolescente – que contou que ela havia confessado, depois da confusão, que estava mesmo grávida.

Acontece que a Target tinha um funcionário genial que entendeu que se uma cliente buscasse 20 itens diferentes no e-commerce da loja, teoricamente significaria, nesse caso, uma possível gravidez.

Então, por qual motivo não impactá-la com email marketing e remarketing? Ou seja, a tecnologia, aliada a uma estratégia de extração de dados, permitiu que a marca expusesse uma adolescente, sem que ela tivesse nenhuma ideia de que isso poderia acontecer.

Quando você entende PROMESSA DA MARCA, antes de sair capturando dados de maneira abusiva, entende também que o relacionamento com o cliente passa por um fator chamado CONFIANÇA, que está exatamente – ou deveria – na “promessa de marca”.

O sigilo da sua navegação, enquanto pessoa deveria ser completamente garantido – desde sempre, deveria ser um princípio básico para qualquer negócio sair do papel.

Hoje, seus clientes acreditam nisso. Não importa se você tem um sex shop ou uma loja de flores. Eles acreditam que suas informações estão seguras e não são compartilháveis.

Você, enquanto empresário/marca, precisa entender que existem inúmeras formas de expor seu cliente, por exemplo, o marido pode compartilhar o e-mail com a esposa (isso é muito mais comum do que a gente pensa!).

O Computador de casa é da família. Mas, com certeza, você, CMO ou gerente de marketing não tem tempo para  pensar nisso, certo? E é aí que mora o perigo, a LGPD faz esse trabalho, mas qual especificamente? O trabalho de colocar ordem na bagunça!

De agora em diante, toda empresa que atua na Internet tem que ter gestão de consentimento e anonimização e outros itens de segurança.

A preocupação com a segurança dos dados pessoais no ambiente digital brasileiro é fator de discussão há tempo. Entretanto, em agosto deste ano, 2020, a Lei Federal nº 13.079/2018 entrou em vigor.

Em regra, a LGPD busca proteger o usuário do uso abusivo e indiscriminado dos seus dados. A Lei vem para garantir o consentimento e permitir a manutenção ou eliminação dos dados por parte do usuário.

As empresas só poderão solicitar os dados que são realmente necessários para o fim proposto. Agora que a lei está em vigor altera-se o relacionamento entre marcas e clientes. Quando falamos em coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, a responsabilidade das empresas ficou imensamente maior.

Não pensem que sou contrária a estudos preditivos do comportamento do consumidor, como o caso da Target, mas o limite é importante, invadir áreas da vida da pessoa é abusivo, seja você empresa ou pessoa.

Lembre-se, a corrida da LGPD já está valendo, a primeira empresa a compartilhar dados com terceiros sem consentimento do cliente/usuário já foi penalizada.