Não raro, escutamos em inúmeras ocasiões que o departamento financeiro é o coração de uma empresa. E, de fato, sem uma boa saúde orçamentária, as chances de um empreendimento tornar-se (ou manter-se) promissor são bem pequenas, se não nulas.

Se estendermos essa analogia para um sentido muito mais amplo, vamos descobrir que o coração de uma empresa é, na verdade, todo o seu time de colaboradores.

E como pensar, então, na saúde financeira de uma empresa (e esperar por bons resultados) sem nos preocuparmos, também, com a saúde financeira dos seus funcionários?

Há tempos, a área de Recursos Humanos deixou de ser um núcleo responsável apenas por efetuar contratações, demissões e pagamentos de salários.

O antigo “DP” (Departamento Pessoal) foi se modernizando ao longo dos anos e, hoje, um dos seus principais objetivos – entre inúmeros outros – é garantir integridade física e mental de funcionários.

Durante o período de pandemia, pudemos vivenciar, com clareza, o quanto a instabilidade no orçamento impactou o cotidiano das pessoas, sobretudo no aspecto emocional. Mesmo os trabalhadores que não perderam seus empregos seguiram (e seguem) movidos pelo sentimento de insegurança.

Milhares de famílias tiveram de fazer seu próprio “ajuste fiscal” para tentar equilibrar as contas, o que nem sempre foi possível. Isso porque, em muitos casos, elas carecem de acesso ao crédito e de um auxílio sobre como utilizá-lo da melhor maneira.

Segundo o Boletim Informativo Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, divulgado pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho em junho deste ano, a sobrecarga mental está entre as principais causas de afastamento do trabalho, somada a fatores ergonômicos (total de 20,76%).

Não há como mensurar, obviamente, o volume desse percentual relacionado à diminuição da renda familiar, mas é impossível não associarmos a ansiedade, por exemplo, à sensação de incerteza e inconstância.

Mais do que nunca, o papel do RH é estar próximo dos colaboradores, proporcionando soluções viáveis não apenas neste momento delicado, mas em toda e qualquer situação que, de alguma forma, se reflita em sua saúde e no seu desempenho profissional.

Priorizar a educação financeira é se antecipar à crise e valorizar a integridade mental das pessoas que são, verdadeiramente, o coração de um negócio.