Somos únicos. Não há no universo ninguém – ninguém – igual a nós. Nossos gostos, nossos posicionamentos, nossa maneira de pensar. Nossa história, nossos relacionamentos, nossa experiência. Tudo isso nos conduz a sermos quem somos, a cada instante. Desse jeito original. Sem regras, normas ou códigos pregressos. Sem precedentes, padronizações ou modelos prévios.

E não apenas entender, mas asilar essa singularidade é um grande sinal de autoaceitação e de autoamor. Trocando em miúdos, é necessário que abracemos o que temos de inusitado em nós. Que entendamos essas especificidades não como algo a ser moldado, enquadrado ou consertado, mas como aquilo que precisa ser exaltado e celebrado. Como o que reverencia a nossa existência.

Certamente levamos em consideração nossa necessidade intrínseca de pertencimento. E percebemos que, para tal, é preciso certa adequação à cultura, ao código social. Isso, porém não extingue – ou ao menos não deveria abafar – nossa subjetividade. E é através dela, que despertamos para os nossos verdadeiros desejos. Quando nos aproximamos de um maior autoconhecimento aumentamos a probabilidade de realizar nossas maiores aspirações.

Além disso, é exatamente através do reconhecimento e da aceitação do que se distingue de nós que nos possibilitamos expandir. A convivência com aqueles mais parecidos conosco pode parecer mais simples ou confortável, mas o desafio de ser tocado pela diferença nos ajuda a crescer. Aumenta nosso leque de possibilidades e desenvolve um novo ajustamento diante desse repertório que em nós era ausente ou inexpressivo até o momento.

Reconhecer nossa unicidade é exaltar nossa potência. É amparar a pessoa que conseguimos nos tornar respeitando e acolhendo a nós mesmos. Permitir, consentir, abrigar. Distinguir a beleza grandiosa existente em nós. Aquilo que não se repete. O que nos diferencia dos demais e faz com que tragamos ao mundo algo que ninguém mais poderia fazer, algo realmente especial, algo genuinamente nosso.