A ciência tem avançado a passos largos nas alternativas terapêuticas para o câncer de pulmão, doença que em 90% dos casos no mundo tem como origem o tabagismo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mesmo diante de um arsenal poderoso de condutas que podem atuar no enfrentamento da neoplasia, ainda existem desafios que precisam ser vencidos ao longo dessa trajetória. Por isso, durante a 10ª edição do Simpósio Internacional do Grupo Oncoclínicas, realizado em parceria com o Dana-Farber Cancer Institute, esse será um dos temas discutidos neste sábado, 24 de setembro, das 09h30 às 11h.

De maneira otimista, a Dra. Mariana Laloni, oncologista da Oncoclínicas São Paulo e coordenadora do painel, comenta estratégias que têm se mostrado bastante promissoras. “Tivemos inúmeros avanços na detecção da doença, no diagnóstico molecular, nas técnicas cirúrgicas, nas técnicas de radioterapia e também na incorporação de novos tratamentos alvos para o câncer de pulmão”.

Contudo, a médica explica ainda que as técnicas devem ser avaliadas caso a caso para os pacientes oncológicos. “A indicação depende, principalmente, do estadiamento, tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente”.

Sintomas e tipos mais comuns do câncer de pulmão

A grande maioria dos pacientes com câncer de pulmão tendem a apresentar sintomas ligados ao aparelho respiratório. Por isso, é importante ficar em alerta caso haja tosse, falta de ar e dor no peito. “Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Contudo, quando a doença é sintomática, geralmente, se encontra em uma fase mais avançada. Por isso, é muito importante que os programas incluam a cessação do tabagismo e estratégias de rastreamento da população de alto risco, como tabagistas e ex-tabagistas. A atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença, o que contribui amplamente para o sucesso do tratamento”, explica a oncologista da Oncoclínicas.

Já quanto aos tipos da neoplasia, os dois principais são: o carcinoma de pequenas células e o de não pequenas células “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, complementa.

Desafios

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é estimado que em 2022 cerca de 30.200 casos da doença sejam diagnosticados. Apesar dos dados não serem novidade, os tumores pulmonares ainda lideram o ranking das doenças oncológicas que mais matam todos os anos, segundo a OMS.

Para Mariana, o grande desafio é a integração do tratamento para o paciente oncológico. “Integração no sentido fornecer acesso a todos os pacientes a um diagnóstico molecular adequado, com uma velocidade rápida para fazer as melhores escolhas na combinação do tratamento cirúrgico, sistêmico (baseados na adoção de medicações via oral ou intravenosa, como a quimioterapia) e radioterápico”, comenta.

A médica comenta ainda que o diagnóstico molecular possui grande importância e pode auxiliar nas investigações alvo de interesse, gerando resultados mais precisos. “Com uma altíssima performance e redução do tempo de análise, é possível identificar mutações ou alterações genéticas e criar estratégias para que o tratamento se inicie o mais rápido possível. Isso nos abre novas frentes para o enfrentamento da doença e traz perspectivas de um futuro promissor”, finaliza Mariana Laloni.