Quando a pandemia do novo coronavírus teve início no Brasil, em março deste ano, ninguém estava preparado para o que viria.

A necessidade de isolamento social premente obrigou empresas e trabalhadores à adaptação repentina e lançou todos ao exercício de uma nova “normalidade”.

O trabalho remoto, antes visto com certa restrição por parte dos gestores das companhias, se disseminou.

Como nunca antes, o esforço coletivo em reduzir custos e despesas nas empresas e nas residências passou a nortear as decisões.

Assim que eclodiu a pandemia, apesar da falta de aviso, tomamos algumas ações emergenciais.

Grande parte dos colaboradores pôde atuar em trabalho remoto, com exceção da equipe de facilities, que não tem função para atividades remotas.

Assim, tivemos que suspender o contrato de trabalho desses colaboradores temporariamente, para que permanecessem em segurança e não perdessem a sua renda.

Depois, passamos a fornecer os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) necessários e treinamos alguns colaboradores cujo trabalho essencialmente exigia a presença “in loco”, como o pessoal de Tecnologia da Informação (TI).

A empresa, independentemente da situação, sempre investiu em tecnologia, proporcionando ferramentas mais produtivas e práticas e isso foi um grande facilitador nesse momento para que a produtividade não parasse.

Recentemente estamos utilizando alguns indicadores para mensurar e monitorar o andamento dessas estratégias: como turnover, comunicação interna e avaliação de desempenho.

Se, por um lado, o trabalho remoto facilitou a continuidade de execução do trabalho nas empresas, por outro exigiu dos gestores, principalmente os da área de Recursos Humanos, soluções criativas e muito empenho no fortalecimento do engajamento dos funcionários.

Disponibilizamos ferramentas e plataformas necessárias para a realização dos trabalhos e os instruímos, com acesso a senhas e formas de utilização.

Realizamos reuniões virtuais, vídeo conferências periódicas, coletando e fornecendo feedbacks; e, de tempos em tempos, lembrando aos colaboradores os valores e a cultura da empresa.

Além disso, além das medidas preventivas emergenciais, pudemos realizar uma atuação junto aos funcionários, que foi o “RH Apoia”, onde disponibilizamos um canal aberto a todos que precisassem conversar com a nossa equipe de RH.

Criamos também um canal com o nosso seguro saúde, para que os colaboradores tenham acesso a consultas com psicólogos por meio da telemedicina.

Se a pandemia perdurar, estamos verificando a possibilidade de fornecer aos nossos colaboradores estudos focados na melhoria da ergonomia e também criar um programa voltado para o acompanhamento socioemocional.

Dessa maneira, as medidas de engajamento durante o trabalho remoto nos ajudaram no sentido de não perdermos o “ritmo” do trabalho em equipe.

Os trabalhos fluíram normalmente, sem perda de produção e entregas. Muito pelo contrário. Hoje, devido ao trabalho remoto, as pessoas adquiriram uma qualidade de vida melhor, tendo tempo hábil para usufruir mais a vida pessoal.

Dessa forma, o ritmo de trabalho está fluindo normalmente, nos mostrando quase que na totalidade que os nossos colaboradores estão empenhados em apresentar um trabalho de qualidade, aumentando o ganho na produtividade.

Interessante registrar a utilização de recursos tecnológicos, como os nossos sistemas de gestão de pessoas, para incrementar o fluxo dos trabalhos. Com o auxílio da tecnologia, fomos capazes de planejar, executar, gerir e entregar resultados junto a cada projeto ou cliente.

Oito meses após o início da pandemia, percebemos que, apesar da resistência de algumas empresas em adotar o trabalho remoto, essa tendência se acelerou.

A economia para as empresas (espaço físico, mobiliário, eletricidade e outra despesas administrativas) têm sido um fator preponderante para que repensem essa questão.

Na nossa opinião, o trabalho remoto veio para ficar. Porém, será preciso ainda amadurecer essa ideia; são muitos os fatores a ponderar. Muitos colaboradores ainda não estão preparados para o home office, apesar de concordarem em permanecer trabalhando assim por um tempo.

Existem pesquisas que revelam que, mesmo antes da pandemia, 80% dos funcionários trabalhariam em casa pelo menos parte do tempo. Apesar do engajamento, da produtividade, sempre é mais difícil manter 99% dos colaboradores em trabalho remoto. Teríamos que planejar quais seriam os funcionários estratégicos que poderíamos manter nessa modalidade e rever nossa estrutura física. Para que pudéssemos continuar 100% em home office, notamos que teríamos que trabalhar mais a inteligência emocional dos colaboradores.

Penso ser necessário criarmos oportunidades para estar frente à frente com nossas equipes. Olho no olho mesmo. Sentimos que a distância física também cria uma distância psicológica.

Por esse motivo, acreditamos que seja importante encontrar formas alternativas de manter os encontros pessoais. Isso reforça a conexão humana e ajuda a construir um sentimento mais acolhedor.