O momento atual é difícil, mais complicado para alguns do que para outros.

O sentimento da maioria das pessoas é que estamos em um momento de vulnerabilidade pela situação da pandemia, seja por não ter reservas para manter a empresa e os funcionários, para pagar contas, colocar comida à mesa ou até mesmo nos cuidados do dia a dia para profissionais da área de saúde que tiveram suas jornadas mais do que sobrecarregadas.

Neste cenário, cuidar da saúde mental é tão importante quanto zelar pela saúde física. Podemos afirmar que durante a quarentena vimos aumentar significantemente o número de pessoas com depressão, ansiedade e vícios por cigarro e bebidas alcoólicas, sem falar do distúrbio alimentar, muitas vezes, pouco explorado.

Ressalto sempre que a saúde física está intimamente ligada à saúde mental, se a nossa cabeça não está bem, nada estará em sintonia.

A pandemia trouxe muita insegurança e incerteza para todos, gerando muita preocupação e ansiedade, o que naturalmente faz com o que a saúde mental seja bastante afetada, e com isso os transtornos tenham tomado uma proporção inimaginável.

O ser humano tem uma ligação emocional com a comida, e com o distanciamento social é natural que na busca de preencher esse “vazio”, coma-se mais e de forma menos racional, consumindo alimentos de alto valor calórico e baixo valor nutricional.

Os exercícios, antes feitos em academias e ao ar livre, foram minguando aos poucos, o que afeta bruscamente o funcionamento cerebral.

Para a maioria, trabalhar em casa ou ter a sua jornada de trabalho dobrada foi um desafio e facilita ainda mais as “beliscadas” durante o dia.

Muitos pacientes relataram um significativo aumento de peso durante a quarentena, o que é completamente normal, já que passamos por mudanças bruscas em um carrossel de emoções.

No entanto, o que deve ser percebido é a relação do peso com a imagem corporal, eles conversam. Muitos pacientes não conseguem enxergar o reflexo real do seu tamanho, percebem seu corpo muito menor ou maior do que realmente é.

Muitas vezes, a percepção real só acontece quando eles veem uma fotografia, vídeo ou uma imagem refletida de si mesmos.

Embora a distorção de imagem afete mais mulheres do que homens, eles não estão isentos disso. A bulimia e a anorexia são transtornos em que essa característica está bastante presente.

A nossa percepção de imagem se desenvolve na medida em que crescemos e começamos a receber observações de membros da família, treinadores, amigos e namorados.

Alguns traços de temperamento como o perfeccionismo e a autocrítica também podem influenciar para o desenvolvimento de uma autoimagem corporal negativa.

É possível que o distúrbio alimentar possa ter se originado durante a quarentena, por isso é preciso procurar um especialista para entender o quadro clínico e quais as melhores formas de tratamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 2,6% da população mundial sofre de Transtorno Compulsivo Alimentar (TCA). O Brasil tem uma das taxas mais altas do mundo, de 4,7%, quase o dobro da média mundial, sendo mais recorrente entre jovens de 14 a 18 anos.

Já um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que 77% das jovens apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comer.

Cerca de 50% das pessoas que apresentam o transtorno são obesas, sendo que 15% são obesas mórbidas.

É preciso quebrar o tabu com relação aos transtornos alimentares, somente dessa forma poderemos entendê-lo cada vez mais e oferecer os tratamentos adequados.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento mais eficaz para a compulsão alimentar, capacitando os pacientes a lidar com transtorno de forma a extinguir ou diminuir ao máximo os episódios de compulsão alimentar. Ela tem cura!