Novembro é um mês de conscientização sobre a importância da prevenção na saúde do homem. A campanha Novembro azul, inicialmente criada com foco no câncer de próstata, tem sido estendida para outras neoplasias do sexo masculino, como câncer de testículo e pênis, sendo agora considerado o mês da prevenção da saúde do homem.

Vamos falar um pouco sobre algumas doenças comuns na população masculina. O câncer de próstata é o mais frequente na população masculina. Segundo estimativas do INCA, em 2020 são esperados cerca de 66.000 casos e 15.500 mortes pela doença, colocando-a na segunda posição entre os cânceres que mais matam.

Isso explica a importância de se discutir essa doença. Apesar de muito se discutir a influência de maus hábitos de vida no aparecimento da doença, o principal fator de risco é de longe a idade avançada com idade média de aparecimento da doença aos 66 anos.

A próstata é uma glândula do aparelho reprodutor masculino que produz parte do sêmen, e está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. O órgão envolve a uretra, que é o canal por onde passa a urina, vindo da bexiga para o exterior.

A próstata usualmente é do tamanho de uma noz e tende a crescer com a idade, podendo às vezes, comprimir o canal da urina e provocar dificuldades para urinar.

O risco de desenvolver câncer de próstata durante a vida é de cerca de 12%. A maioria dos casos é diagnosticado em fases iniciais, cenário no qual a doença não provoca sintomas. Tal diagnóstico é muitas vezes suspeitado devido a alterações em exame de sangue chamado PSA.

O PSA  (Antígeno Prostático Específico)  é uma substância produzida exclusivamente pela próstata que pode ser detectada no sangue. É importante salientar que nem todos os casos de aumento do PSA significam que o paciente tem câncer de próstata, já que outras patologias, como por exemplo a prostatite podem determinar a elevação do exame.

O PSA tem sido a principal ferramenta para se fazer rastreamento do câncer, desde a década de 90. A partir da incorporação desse exame foi visto um aumento exponencial dos diagnósticos da doença. Entretanto, grande parte dos pacientes diagnosticados no rastreamento apresentam doença indolente e muitas vezes as sequelas do tratamento podem ser mais maléficas que a própria doença.

Tanto o tratamento cirúrgico quanto radioterápico podem deixar sequelas que podem comprometer a qualidade de vida do homem, podendo ocorrer impotência sexual e incontinência em graus variáveis. Por esse motivo, a recomendação atual é de acompanhamento somente em muitos pacientes com diagnóstico de câncer de próstata. Atualmente, a chamada vigilância ativa é uma excelente alternativa para pacientes que possuem doença com baixo risco de letalidade.

Imagem: Câncer de próstata – Próstata saudável versus Próstata aumentada com tumor maligno.

 

Devido a esses fatores, nos últimos anos temos reduzido bastante as taxas de sobretratamento do câncer de próstata. Quando optado pelo rastreamento, e essa é uma decisão que deve ser compartilhada entre paciente e médico, PSA e toque retal devem ser realizados.

Usualmente a idade para se iniciar os exames é de 50 anos e deve-se interromper o rastreamento aos 75 anos. Pacientes de etnia negra e aqueles com história familiar de câncer de próstata devem iniciar o rastreamento antes, aos 45 anos.

Não existe uma frequência que seja consenso, mas acredita-se que a realização do exame a cada 2 anos seja suficiente em termos de rastreamento. Uma vez suspeitado o diagnóstico, uma biópsia está recomendada para confirmar o diagnóstico.

Durante o procedimento, que normalmente é feito por via retal, são realizadas punções da próstata guiadas por US (ultrassonografia) e coletado material para análise no laboratório. Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer de próstata, o paciente deverá passar por consulta com urologista.

A maioria dos casos de câncer de próstata é curável, pois a doença, em 75% dos casos é diagnosticada em fases iniciais. Nesse estágio, a perspectiva de estar livre da doença em 5 anos é de mais de 90%.

Para os pacientes com doença localizada existem 4 modalidades de tratamento: acompanhamento somente (vigilância ativa); cirurgia; radioterapia e braquiterapia.

Quando utilizado a radioterapia pode ser necessário associar tratamento hormonal que promove a castração do paciente por meio de injeções de aplicações mensais ou trimestrais. Em cerca de 10% dos casos a doença é diagnosticada em estágios avançados, já com presença de metástases em outros órgãos.

Locais frequentemente acometidos por câncer de próstata são ossos e linfonodos (gânglios) na região pélvica e abdominal. Nos casos avançados, nem sempre cirurgia ou radioterapia são necessários, e o foco nesse caso passa a ser o tratamento sistêmico, feito através de manipulação hormonal (castração) e quimioterapia.

Nos últimos anos houve grande avanço no tratamento da doença metastática que, apesar de incurável, tem assistido aumentos expressivos na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes.

Imagem: Tumor maligno no testículo.

Com relação ao câncer de testículo, essa é uma neoplasia que acomete preferencialmente indivíduos jovens, geralmente na terceira ou quarta década de vida. A idade média de aparecimento é 33 anos. É considerada uma doença rara, correspondendo a menos de 0,5% de todos os casos de câncer. Apresenta-se geralmente como inchaço e dor na região do escroto. A maioria dos casos, cerca de 70%  é diagnosticada em uma fase na qual a doença está restrita ao órgão. Nesse cenário, o tratamento consiste em cirurgia, e um testículo é retirado.

Geralmente, após o procedimento, o paciente ainda mantém a fertilidade e níveis de testosterona normais.  Uma minoria de casos pode apresentar-se como doença avançada, geralmente com metástases em gânglios abdominais e pulmões. Nesses casos, quimioterapia deve ser o tratamento de escolha, podendo produzir altas chances de cura.

É importante salientar que mais de 95% dos pacientes diagnosticados com câncer de testículo se curam da doença. Com relação ao câncer de pênis, trata-se de doença ainda mais rara. Quase 100% dos casos estão relacionados ao papiloma virus humano (HPV), o mesmo que causa câncer de colo uterino nas mulheres.

O HPV é a doença sexualmente transmissível mais prevalente no muito e nem todas as cepas do vírus são relacionadas a câncer. Outro fator de risco importante para a doença é a presença de fimose e maus hábitos de higiene, motivo pelo qual tal doença é mais comum em pessoas de nível sociocultural mais baixo.

A doença se apresenta mais comumente como uma ferida ou verruga que não se cicatriza, na glande. O tratamento geralmente envolve cirurgia, e muitas vezes a amputação do pênis é necessária. A quimioterapia e radioterapia apresentam papel somente na doença avançada e usualmente são tratamentos paliativos que visam melhorar a qualidade de vida do paciente.

Por fim, gostaria de falar rapidamente sobre o câncer de bexiga , que não é uma doença exclusiva da população masculina, mas que acomete mais frequentemente homens. O câncer de bexiga acomete três vezes mais homens e está fortemente relacionada ao hábito de fumar e à exposição ocupacional de produtos químicos.

Se apresenta usualmente com sangramento na urina e a maioria dos casos é diagnosticada em fases precoces, cenário no qual o tratamento consiste de procedimento cirúrgico para “raspagem” da lesão, seguido de instilação de vacina ou quimioterapia no interior da bexiga.

Em uma minoria de casos é necessário realizar a retirada cirúrgica da bexiga, sendo quimioterapia, imunoterapia e radioterapia, reservadas para tratamento da doença avançada.

Com relação ao câncer de testículo, essa é uma neoplasia que acomete preferencialmente indivíduos jovens, geralmente na terceira ou quarta década de vida. A idade média de aparecimento é 33 anos. É considerada uma doença rara, correspondendo a menos de 0,5% de todos os casos de câncer. Apresenta-se geralmente como inchaço e dor na região do escroto. A maioria dos casos, cerca de 70%  é diagnosticada em uma fase na qual a doença está restrita ao órgão. Nesse cenário, o tratamento consiste em cirurgia, e um testículo é retirado.

Geralmente, após o procedimento, o paciente ainda mantém a fertilidade e níveis de testosterona normais.  Uma minoria de casos pode apresentar-se como doença avançada, geralmente com metástases em gânglios abdominais e pulmões. Nesses casos, quimioterapia deve ser o tratamento de escolha, podendo produzir altas chances de cura.

É importante salientar que mais de 95% dos pacientes diagnosticados com câncer de testículo se curam da doença. Com relação ao câncer de pênis, trata-se de doença ainda mais rara. Quase 100% dos casos estão relacionados ao papiloma virus humano (HPV), o mesmo que causa câncer de colo uterino nas mulheres.

Por fim, gostaria de falar rapidamente sobre o câncer de bexiga , que não é uma doença exclusiva da população masculina, mas que acomete mais frequentemente homens. O câncer de bexiga acomete três vezes mais homens e está fortemente relacionada ao hábito de fumar e à exposição ocupacional de produtos químicos.