Um dos autores mais celebrados da contemporaneidade, Nassim Nicholas Taleb, merece nossa atenção no momento histórico que vivemos.

“Os cisnes negros” (título do seu livro mais traduzido e transformador) brota nos noticiários de tal forma que aqueles brancos são os que parecem sobrenaturais.

Quem, em setembro do ano passado, acreditaria que seríamos vitimados por uma epidemia tão semelhante àquela que marcou o primeiro quinto do Século XX?

Há apenas um mês, haveria quem acreditasse que uma unidade da Federação, o Estado do Amapá, ficaria tanto tempo às escuras e nem sequer seria capaz de realizar o processo eleitoral?

A realidade concreta das mudanças climáticas já é inegável.  A hipótese do aquecimento global é – e deve ser, como toda boa hipótese científica – questionada e questionável, mas a pauta que temos em mãos é outra.

Já está muito bem estabelecido cientificamente o impacto que a espécie humana causa sobre o planeta com seus modelos de produção e padrões de consumo.

Há esperança, entretanto. É possível reverter este impacto, tornando-o positivo.  Não é, necessariamente, um problema, utilizarmos dos recursos naturais, pelo menos em princípio.

Os problemas estão em abusarmos destes recursos e não estabelecermos mecanismos que garantam sua renovação ou substituição; a iniquidade do acesso e da distribuição dos bens agregados na sociedade, o que é uma consequência direta da pobreza e da concentração de renda, e também uma das causas da miséria é não tratarmos adequadamente dos resíduos da produção, do transporte e do consumo destes mesmos bens.

Estes três apontamentos são interdisciplinares por excelência.  Por um lado, precisamos de uma sociedade comprometida, de uma comunidade científica atuante e de uma comunidade de negócios dinâmica, inventiva e adaptável.

Por outro, precisamos de servidores públicos, políticos dispostos e transparentes em sua atuação. Com estes elementos posicionados, a diversidade ideológica é mais que saudável para a construção do Brasil do presente e dos próximos séculos.

Eu não acredito que o mundo vai ser melhorado pela intervenção humana, a natureza joga em campo próprio e por suas próprias regras. Creio, todavia, que podemos melhorar nosso modo de interagir com o mundo e como participamos de seus ciclos e dinâmicas.

É a isto que tenho dedicado minha carreira e minha vida: o propósito de um Brasil fortalecido frente aos reveses da fortuna, e capaz de desfrutar melhor quando ela estiver ao seu favor.

Não somos capazes de controlar o futuro – nem de alterar o passado, efetivamente, mas podemos fazer as melhores escolhas no presente.

Nisso, a conservação dos biomas do mundo, entre eles as tropicais como a Amazônia é fundamental.  É preciso encararmos o ambiente saudável, por exemplo, as florestas e geleiras, como riquezas potenciais estocadas e como produtor dos bens intangíveis de que nossas vidas dependem.

Nesta ótica, o homem é guardião das riquezas que protege.  Não renuncia a elas, mas as trata de outro modo.

Sustentabilidade não é um ponto matemático hipotético em uma utopia fiscal estéril das finanças verdes.

Sustentabilidade é o índice objetivo que mede a capacidade de sustentação de cada uma das sociedades humanas frente a calamidades, emergências e pandemias.

Trocando em miúdos, isto é o significado da palavra biocapacidade.