Receber um diagnóstico de câncer é literalmente ir do céu ao inferno, como eu costumo dizer, pois o Câncer de Mama é a principal causa de óbitos das mulheres brasileiras.

Em agosto de 2019 fui diagnosticada com câncer de mama e então comecei minha batalha que durou longos meses.

Em minha primeira consulta com o médico oncologista, ele me disse que o câncer tem cura, e que no meu caso, que tinha detectado precocemente através do autoexame; fazendo as quimioterapias eu teria sucesso, mas que antes disso o câncer iria me humilhar.

Porque eu perderia os cabelos as sobrancelhas os cílios e todos os pelos do corpo. Pois bem, aqui estou eu provando que os humilhados serão exaltados.

Apesar de ter acontecido absolutamente tudo que ele me descreveu, nunca me senti humilhada ou envergonhada por estar sem cabelos.

Como o câncer de mama pode ser detectado com relativa facilidade, pela acessibilidade e eficiência de métodos de diagnóstico disponíveis hoje, a sua taxa de cura é elevada, desde que o diagnóstico seja feito nos estágios iniciais, exatamente como foi no meu caso.

Fiz 8 sessões de quimioterapia que eram intercaladas de 21 em 21 dias; acabadas as sessões fiz a cirurgia para a retirada do nódulo que quando foi diagnosticado tinha 7 cm e quando foi retirado media 1,2 cm.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a retirada do tumor não implica na retirada total ou parcial da mama. No meu caso o tumor foi retirado sem que precisasse retirar a mama.

O câncer infelizmente ainda é um grave problema de saúde para a humanidade, devido à alta incidência e mortalidade que ocorrem em todo o mundo, e os problemas causados na família, afetando a vida laboral com prejuízos físicos e psicológicos, entre outros, de modo que tem sido de interesse nos últimos anos e agora são inúmeras as publicações relacionadas com o impacto da doença.

A importância do diagnóstico precoce para a população feminina e a prática do autoexame de mama são indispensáveis para o sucesso desses programas e para o seu impacto sobre a aceitabilidade da população.

Além da observação (sinais e sintomas), meios de medição, mamografia e ultrassom de diagnóstico estão presentes para encontrar corroboração da mamografia de rastreamento.

Infelizmente no Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados.

Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

Receber a noticia de que se está curada é indescritível, mas ao mesmo tempo em que fiquei aliviada com o final do tratamento, ainda existe a preocupação de uma metástase, pois o câncer de mama pode não desaparecer completamente em algumas mulheres e essas mulheres continuarão realizando tratamentos regulares com quimioterapia, hormonioterapia ou outras terapias para tentar manter a doença sob controle e aliviar os sintomas da doença.

A vida após o câncer significa voltar a realizar suas atividades e também fazer novas escolhas. Renascer é simplesmente maravilhoso.

Muitas pessoas me perguntam:

Como é feito o diagnóstico para o câncer de mama? Um nódulo ou outro sintoma suspeito nas mamas deve ser investigado para confirmar se é ou não câncer de mama.

Para a investigação, além do exame clínico das mamas, exames de imagem podem ser recomendados, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética.

No entanto, a confirmação diagnóstica só é feita por meio da biopsia, que consiste na retirada de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita por meio de punções (extração por agulhas) ou de uma pequena cirurgia. A amostra do material é retirada e encaminhada para análise.

O início do tratamento do câncer de mama para pacientes que procuram atendimento no SUS está mais ágil. Dados de janeiro e julho de 2020 mostram que, em 99,57% dos casos atendidos, o tempo entre o diagnóstico e o tratamento do carcinoma in situ, estágio inicial do câncer de mama, foi de até 30 dias.

No mesmo período de 2019, isso aconteceu em 99,16% dos casos. Em 75,54% dos atendimentos, o tempo de até 60 dias entre o diagnóstico e o tratamento em todos os estágios do câncer de mama no SUS foi respeitado.

A produção de mamografias no SUS de janeiro a julho deste ano foi de 1.132.237. Para este ano, são estimados 66.280 novos casos de câncer de mama em mulheres no Brasil. Para reverter esse número, a prevenção é essencial.

A amamentação é uma grande aliada: estima-se que o risco de desenvolver câncer de mama diminui de 4,3% a 6% a cada 12 meses de duração da amamentação. Políticas públicas nessa área vêm sendo desenvolvidas no Brasil desde meados dos anos 80 e foram impulsionadas pelo Programa Viva Mulher, em 1998.

O controle do câncer de mama é hoje uma prioridade da agenda de saúde do país e integra o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil.

O paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) no prazo de até 60 (sessenta) dias, segundo a  Lei nº 12.732/12,  contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário.