Não há respostas definitivas para muitas questões. É preciso cautela e disciplina em receber tantas informações relacionadas à volta dos escritórios.

Até então, não existem regulamentações específicas que estabeleçam critérios para a retomada das atividades.

O cenário em que estamos vivendo nos condiciona a testarmos práticas que em um passado, quase que presente eram vistas como incabíveis. O home office é exemplo disso.

A presença no escritório passou a ser coadjuvante, situação que levaremos como herança pós-pandemia. Como base, temos a legislação trabalhista que, mesmo defasada, pode nortear tal decisão.

Deve-se levar em consideração também a cultura de cada empresa, as atividades exercidas por seus colaboradores e demais fatores disciplinares entre empresa e funcionário.

Em casa por “obrigação”, a instabilidade do mercado nos condiciona à disciplina. Por isso, a sensação de performance potencializada. Para as empresas, um protocolo de cuidados tende a se manifestar: as condições de trabalho em casa continuam sendo obrigações do empregador.

Desde a ergonomia até critérios de uso de documentos, tecnologia aplicada a reuniões on-line e sigilo das informações devem fazer parte do checklist. Tudo está diretamente conectado à preservação dos talentos internos da corporação.

Em um determinado momento, tudo se encaixará em uma nova rotina e ficarão as lembranças de um tempo diferente e reflexivo para todos. Foi como se tivéssemos tomado uma pílula aceleradora evolutiva. A humanidade tem se atentado ao sentido das coisas.

Cabe às empresas o desenho deste planejamento estratégico de retomada unindo as áreas de RH, jurídico, facilities e departamento de comunicação. Neste primeiro momento, na maioria dos escritórios, não são necessárias grandes intervenções.

Há ainda aqueles que buscam traduzir em suas instalações um ambiente mais seguro e prevenido.

Com investimentos reduzidos e tantas mudanças repentinas, precisamos de soluções que vão além das instalações, já que 65% destes cuidados estão diretamente aplicados aos comportamentos dos usuários.

Mas de nada adiantam divisórias altas de acrílico ou o distanciamento das estações de trabalho se há circulação de pessoas sem o uso de máscara, contato pessoal ou mesmo a falta de cuidados entre um cafezinho e outro.

Tudo se resume a uma retomada inteligente e, acima de tudo, comportamental, gerenciando o uso do escritório e entendendo a real necessidade e permanência das pessoas e atividades, já que parte delas necessita da relação presencial em sua dinâmica.

O escritório continuará existindo, mas sofrerá modificações físicas e culturais como resultado de uma evolução de seu uso.

E, acreditar em receitas prontas que “ressignificam” o escritório a um “novo normal” pode se tornar um caminho sem volta e, muito provavelmente, inadequado.

Antes mesmo da pandemia, já enxergávamos os escritórios de forma única e personalizada.

Cada universo corporativo traz uma vivência diferente em seu dia a dia. Copiar e colar ideias sem o menor senso adaptado e usual à cultura da corporação podem causar impactos financeiros, comportamentais e físicos indesejados.

Como reforço, é importante entendermos a existência de uma nova relação de trabalho. Antigamente, “trabalhar em uma boa empresa” era sinônimo de corporações que prezavam tradição, metodologia administrativa rígida e credibilidade aos seus funcionários e ao mercado.

Hoje, empresas inovadoras ganham vez para uma nova geração de colaboradores. Eles se conectam com empresas que anseiam por soluções transformadoras sintonizadas às necessidades de mercado, focadas no desenvolvimento humano e comprometidas por uma causa.

De fato, temos um compromisso firmado com a evolução dos escritórios. Eles devem proporcionar experiências de compartilhamento produtivo, cocriação, diversidade, intensidade e sinergia.

As tecnologias funcionarão como ferramentas aliadas a este processo que enxerga empresas e pessoas de forma única, cria soluções facilitadoras que traduzem vivências e necessidades pontuais.

Antes de ‘sair fazendo’, entenda a real necessidade do ‘por quê’ fazer.